Cruzeiro do Sul, Acre 7 de junho de 2026 18:01

Vozes que protegem: Polícia Civil transforma escola em reduto de prevenção contra a violência sexual

O pátio do Colégio Adventista, que costuma ecoar o som de risadas e correrias, silenciou-se na última quinta-feira, 9, para dar lugar a um diálogo vital. Em uma iniciativa estratégica da Polícia Civil do Acre (PCAC), a equipe da Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima (Decav) mobilizou mais de 300 alunos do ensino fundamental  II  e ensino médio para quebrar o tabu sobre um tema urgente, “a violência sexual”.

A ação, que ocupou os turnos da manhã e da tarde, não foi apenas uma palestra formal, mas uma rede de proteção estendida dentro da sala de aula.

Equipe multidisciplinar da PCAC segue firme no compromisso de cuidar do futuro do nosso Acre. Fotos: cedidas

O evento contou com uma abordagem multidisciplinar. Enquanto um oficial investigador desmistificou o papel da polícia, posicionando-a como uma aliada acessível e não apenas uma figura de autoridade, e uma psicóloga da instituição orientou os jovens sobre o reconhecimento de “toques desconfortáveis” e limites corporais, o clima era de acolhimento.

A Delegada Titular da Decav, Carla Fabíola Coutinho, destacou que a educação é a ferramenta mais eficaz para interromper ciclos de abuso que, muitas vezes, ocorrem no silêncio do ambiente doméstico.

“Nosso objetivo aqui é dar voz a quem o agressor tenta calar. Precisamos que cada criança e adolescente entenda que o corpo deles é um território sagrado e que ninguém tem o direito de invadi-lo”, afirmou a delegada Carla Fabíola. “Quando trazemos a Decav para dentro da escola, estamos dizendo a esses alunos que eles não estão sozinhos. Informação é proteção; uma criança que conhece seus direitos é uma criança muito mais difícil de ser vitimizada”.

PCAC segue firme no compromisso com a proteção da infância, promovendo palestras educativas e fortalecendo a rede de apoio às vítimas. Foto: cedida

Para os educadores, a presença da Polícia Civil reforça o papel da escola como o primeiro filtro de segurança após o portão de casa. A dinâmica permitiu que os alunos do ensino fundamental II compreendessem a diferença entre segredos bons (surpresas de aniversário) e segredos ruins (aqueles que causam medo ou dor), enquanto os adolescentes do ensino médio debateram sobre o consentimento e os perigos do ambiente digital.

A PCAC reitera que a proteção de nossas crianças é um dever coletivo. Além do atendimento presencial na Decav, denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 181 ou o Disque 100, garantindo sigilo e proteção, além do Disque 100: Direitos Humanos, 190 da Polícia Militar.