O artista turco Refik Anadol citou uma visita ao Acre como inspiração para a primeira exposição do Dataland, museu que inaugurou em Los Angeles dedicado à arte feita com inteligência artificial. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo, publicada neste domingo (5). A mostra é dedicada às florestas tropicais.
Segundo Anadol, a exposição nasceu da vivência que teve no Acre. “Essa primeira exposição veio da minha experiência visitando o Acre, no Brasil, e é dedicada às florestas tropicais”, afirmou o artista. Ele disse ainda buscar transmitir, por meio da tecnologia, a sensação de contato com a natureza. “Acho que conseguimos transmitir a ideia de sentir a natureza a partir da perspectiva dos dados. As pessoas podem ouvir cantos dos pássaros, sentir o cheiro das flores.”

Na entrevista, Anadol contou sobre um encontro com uma liderança do povo yawanawá durante passagem pela Amazônia, cinco anos atrás. Ele relatou ter perguntado o que a natureza significava para o povo indígena. “A resposta foi ‘é uma inteligência viva’. Desde então tenho sido muito inspirado por essa ideia”, declarou. O artista afirmou também buscar pesquisa ética no uso de materiais para treinar os algoritmos do museu. “Sempre pedimos permissão para o material que usamos.”

O Dataland foi idealizado por Anadol ao lado da artista Efsun Erkilic, com quem é casado. O espaço usa sensores para captar batimentos cardíacos e temperatura dos visitantes durante as projeções. Segundo o artista, 87% da energia utilizada no museu é renovável, resultado de parceria com a Google Cloud.