A presidente em exercício do Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor no Acre (Procon-AC), Camila Lima, falou que o procedimento de entrega começou na quinta e que as doações ocorrem de forma sistematizada.
“Com a divulgação do início dos nossos trabalhos, a gente amanheceu com uma fila bem grande no Casarão. Como a demanda era grande e nosso estoque era pequeno, não deu para atender a todos que estavam na fila. Em um caso específico teve a discussão, houve a intervenção da polícia, mas de forma geral a gente está tendo o diálogo transparente com a comunidade, quando compensa esperar e quando compensa vir em outro dia”, comentou.
Entregas
O programa “Juntos pelo Acre” iniciou, nesta quinta-feira (7), a entrega de cestas básicas para as famílias atingidas pela alagação em Rio Branco. Por conta disto, filas foram registradas em frente ao Casarão, que fica na Avenida Brasil, no Centro da cidade. Os atendimentos para a entrega foram antecipados, já que no início do dia já havia uma grande aglomeração no local.
A presidente em exercício do Procon-AC, Camila Lima, explicou que na última quarta-feira (6) a estrutura para entrega dos donativos estava sendo montada e algumas pessoas chegaram ao local buscando doações e foram atendidas. Por esse motivo, nesta manhã outras pessoas buscaram os donativos.
“O local já é conhecido do ano passado. O ano passado teve a distribuição, então as pessoas já viram as tendas e já começaram a chegar e aí a gente já fez algumas doações testes, nós doamos 100 cestas ontem. Com isso a informação passa muito rápido e hoje no amanhecer do dia tínhamos uma fila aqui de espera”, disse Camila.
Os atendimentos estão sendo realizados por uma equipe do Procon que já está familiarizada com atendimento ao público. A presidente falou que as equipes estão preparadas.
“Nós recebemos o convite segunda-feira (4) da Casa Civil para fazer a coordenação da entrega das cestas básicas aqui no Casarão. Fomos escolhidos justamente pelo público, a gente já está acostumado a lidar com o público que já está um pouco estressado em situações que já tentou resolver alguma demanda consumerista. Aí trouxemos nossos atendentes com expertise para fazer o atendimento das famílias alagadas que também estão nesse momento emocional fragilizado”, complementou.
A presidente conta que só foi possível atender a todos nesta quinta, pois foram recebidas doações de 700 cestas que servirão para atender as pessoas que já se encontravam no local desde cedo.
Doações
Camila esclarece que esse ano a entrega é sistematizada, ou seja, cada pessoa que buscar atendimento terá seu CPF cadastrado e será verificado se a pessoa mora em um dos 50 bairros que está alagado. “Se caso surgir alguém que não está ali no bairro, não vai conseguir levar a cesta. Esse programa ‘Juntos pelo Acre’, ele foi pensado nesse momento para famílias alagadas, então todo mundo que vier buscar vai ter o CPF e seu bairro cadastrado”, afirmou.
As entregas não têm data para acabar, e serão realizadas de 8h às 13h, enquanto houver doações para serem repassadas à população. A presidente ainda diz que é importante frisar que vão ser entregues os mantimentos que foram doados por empresas, famílias e as pessoas que querem ajudar, então há a possibilidade de que as entregas sejam interrompidas pela falta de insumos.
“A gente aproveita pra pedir ajuda daqueles que podem, façam a doação quem quiser doar está sendo recolhido na Biblioteca Pública. Então primeiro é entregue na Biblioteca Pública e eles passam pra cá para fazer a distribuição para a população”, falou a presidente.

Amarildo e Maria Rute foram em busca da doação — Foto: Richard Lauriano/Rede Amazônica
O auxiliar de serviços gerais, Amarildo Bonfim, é um dos afetados pela cheia do Rio Acre e agradeceu a doação. “Eu fico muito gratificante. Vou ver todo mundo receber esse pouquinho, mas um pouco com Deus é muito, sem Deus não é nada. Graças a Deus, eu só deixei a geladeira dentro da água. Deus abençoe”, disse.
Maria Rute Faria, aposentada, disse que estava precisando da doação nesse período em que está com a casa alagada. “É uma alegria para mim [receber a doação]. Minha situação tá triste porque eu sou aposentada, mas o banco põe todo o meu dinheiro. A minha casa foi alagada até na metade, mas já tá abaixando. Graças a Deus, essa cesta veio na hora certa, porque se eu não preciso, eu não venho [sic]”, afirmou.

Equipes do Procon realizam a entrega das doações de cestas básicas para afetados pela cheia — Foto: Richard Lauriano/ Rede Amazônica
Enchente
O nível do Rio Acre na capital acreana continua diminuindo. Na manhã desta sexta-feira (8), a medição das 6h apresentou a metragem de 17,18 metros, com diminuição de 32 centímetros em comparação à ultima medição de quinta-feira (7) às 18h, segundo a Defesa Civil de Rio Branco. Às 9h, o rio baixou ainda mais para 17,05 metros e às 12h, o manancial saiu da cota dos 17 metros e registrou 16,95 metros.
O manancial ficou acima dos 17 metros por oito dias e na última quarta, alcançou a maior cota do ano, de 17,89 metros. Essa já é a segunda maior cheia da história, desde que a medição começou a ser feita, em 1971. A maior cota histórica já registrada é de 18,40 metros em 2015.