Interlocutores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que os Estados Unidos só devem retomar as negociações comerciais com o Brasil, incluindo o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, após a eleição presidencial deste ano.
A leitura predominante é que a gestão de Donald Trump tende a considerar pouco vantajoso retomar conversas com um governo que não atende às concessões desejadas pelos EUA, sobretudo a menos de três meses do pleito que definirá o próximo presidente da República até 2030.
O governo norte-americano solicitou ao Brasil a adoção de medidas para restringir investimentos estrangeiros no setor de minerais críticos e terras-raras por atores “extra-hemisféricos”, ou seja, de fora do Hemisfério Ocidental. Sem menção explícita, segundo auxiliares brasileiros envolvidos nas negociações, o pedido teve como alvo a China.
A solicitação foi feita no início deste ano, durante uma das rodadas de negociação entre equipes de alto nível dos dois países sobre as relações comerciais bilaterais. O Brasil, porém, rejeitou a proposta, por considerá-la inadequada.
No campo dos minerais críticos e terras-raras, o presidente Lula defende a universalidade dos investimentos, sem priorização de parceiros comerciais, e a realização do refino em território nacional, como forma de desenvolver a indústria e fortalecer a economia brasileira. O país detém a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, atrás apenas da China.
Autoridades norte-americanas também solicitaram a abertura total do setor químico, a isenção das tarifas sobre bens industriais e um maior acesso ao mercado automotivo, entre outras demandas. As propostas não foram aceitas pelo governo brasileiro, que identificou potenciais prejuízos a setores nacionais.