No mesmo período do ano passado mais de 28 mil pessoas já haviam sido atingidas devido a cheia do manancial.
Quintais invadidos pela água, ruas alagadas, bairros inteiros submersos. Essa era a realidade de milhares de cruzeirenses no início de março do ano passado. A cheia do rio Juruá já havia obrigado centenas famílias a deixarem suas casas.
Em 2023, na primeira semana do mês de março, o rio Juruá já tinha ultrapassado a cota de transbordamento que é de 13 metros, se aproximando 14 metros, desabrigando centenas de famílias e afetando cerca de 28 mil pessoas. Já este ano o rio não chegou aos 12 metros e permanece com 8 metros de lâmina d’água.
O pescador e ribeirinho Pedro Gomes, de 66 anos, disse há muito tempo não via o rio Juruá praticamente, seco nesse período, e que o normal é era ele estar com muita água no mês de março.
“Nos outros anos, nesse período já estava tudo alagado, no ano passado nessa data eu já estava pescando no rio moa, com a mata toda invadida”, contou Pedro Gomes.
Gilvane Silva é catraieiro e pescador, ele que todos os anos água do rio Juruá chega na casa dele, mas hoje a situação é de tranquilidade, e a maior preocupação é com o pescado, já quem sem alagação, também não há fartura de peixe.
“Se continuar assim, nem mandi vai ter. No mercado, pode ir lá, não tem peixe, só tem de açude. Sem alegação os peixes não saem dos lagos e nem engordam, porque eles engordam quando entram na mata”, disse.
Ézio Silva, dono de uma embarcação, faz viagens para Marechal Thaumaturgo, ele conta que no período em que deveriam se preocupar com balseiros, a atenção está voltada para os trechos rasos ao longo da viagem.
“Nesse período, mesmo o meu barco sendo pequeno, eu ainda encalhei subindo. Na descida foi melhor porque deu uma chuva aí subiu quase um metro, aí eu aproveitei. A situação está bem diferente dos outros anos”, explicou Ézio Silva.
Apesar da situação atípica, José Lima, coordenador da defesa civil segue com o plano de contingência pronto e monitorando o rio Juruá.