Cruzeiro do Sul, Acre 10 de março de 2026 04:53

Projeto Pacificar faz mutirão de conciliação e atende 50 pessoas em Rio Branco

Pensando em desafogar a demanda do Poder Judiciário e fomentar a conciliação de conflitos, o Projeto Pacificar, da Polícia Civil, atendeu 50 pessoas durante mutirão feito na manhã desta quinta-feira (2) na 1ª Regional de Rio Branco.

O projeto Pacificação Social (Pacificar) é uma política Institucional que tem como objetivo principal ajudar os cidadãos que buscam a ajuda da Polícia Civil para mediar uma solução dos seus conflitos, considerados de menor potencial ofensivo.

A atual coordenadora do projeto, delegada Carva Ívane, disse em entrevista à CBN Amazônia que a intenção do projeto é pregar o amor, perdão, reconciliação, tolerância, além da paz social e familiar. Ela destacou ainda que o projeto começou com a delegada aposentada Maria Lúcia Jaccoud, que teve a sensibilidade de perceber a importância dessa mediação.

“Foram identificados diversas situações que uma simples conversa poderia ajudar a compor o conflito. Sabemos que o Judiciário já está inflado de vários processos, que tem uma pauta de audiência extensa e, muitas vezes, a ameaça não pode esperar. A idealizadora do projeto Pacificar foi a delegada Lúcia, que hoje está aposentada e eu tenho a honra de ocupar a coordenação, substituindo nessa grande missão e estou muito feliz nesse meu novo desafio e em Rio Branco, ela identificou e abraçou isso. A gente diz que a delegada Lúcia é a mãe do projeto Pacificar e tenho que fazer essa especial reverência por toda importância que ela tem na existência desse projeto, que acabou virando uma política institucional da Polícia Civil”, destacou.

Atendimentos e conciliações do Pacificar

Ano Atendimentos Acordos Porcentagens
2015 164 146 89,02%
2016 275 255 92,72%
2017 758 596 75,92%
2018 1.258 1.006 79,96%
2019 1.137 741 65,17%
2020 254 175 68,89%
2021 440 315 70,99%
Total 4.286 3.234 75,40%

Mais de 3,2 mil acordos

Desta forma, ao invés de trabalhar somente a repressão, os núcleos trabalham também a prevenção. Desde sua implantação, em 2015, o projeto já atendeu 4.286 pessoas, tendo 3.234 acordos feitos no âmbito da Polícia Civil, tendo assim um índice de 75% de êxito nesses procedimentos.

“A solução é construída pelas próprias partes que contam com a ajuda de um mediador, que está ali treinado, devidamente orientado. A gente tem sucesso porque as partes cedem um pouquinho e acabam chegando em uma solução. Muitas vezes tem aquelas brigas intermináveis da vizinhança, que sempre há vários registros de ocorrência, que ficam aguardando audiência no Judiciário e, enquanto isso, a ameaça pode evoluir para uma lesão corporal, um dano, e a gente, através do Pacificar, onde as audiências são mais céleres, consegue alcançar isso e evitar a judicialização dos conflitos, então é um acordo extrajudicial que é o que aconteceu hoje no nosso mutirão na primeira regional”, explica a delegada.

Os casos mais comuns registrados e que são passíveis desse tipo de acordo, são, segundo a delegada, difamação, injúria, xingamentos, conflitos familiares ou da vizinhança, além de ameaças e danos.

“A gente tem casos de pessoas que adoeceram por causa da extensão desses conflitos e, quando descobriram a existência do Pacificar, conseguiram realizar a composição e realmente conviver com a paz social, evitando um processo judicial que deve levar mais tempo em razão do grande número de procedimentos”, destaca.

Já foram mais de 3,2 mil acordos feitos pelo projeto  — Foto: Arquivo pessoal

Já foram mais de 3,2 mil acordos feitos pelo projeto — Foto: Arquivo pessoal

Expansão

Os núcleos existem em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Porto Acre e Plácido de Castro e a intenção, segundo a coordenadora, é levá-los para outras cidades do interior do estado, começando pelo Alto Acre.

Além de servidores da Polícia Civil, o projeto conta com atuação de estagiários e até voluntários que querem ter experiência na área.

“São três núcleos de conciliação e um que já fica ali preparado para, caso a gente não tenha êxito, esse acordo vai ser encaminhado para essa sala, onde vai ser feito o TCO [termo circunstanciado de ocorrência]. Importante a gente destacar que as causas que podem ser conciliadas no âmbito extraoficial da delegacia são aquelas relacionadas a crimes de menor potencial ofensivo, que a lei permite a composição. Em casos mais graves, o caminho é judicializar mesmo”, finaliza.

Colaborou Richard Lauriano, da CBN Amazônia Rio Branco.