Cruzeiro do Sul, Acre 22 de maio de 2026 09:48

Primeiro Encontro de parteiras indígenas é realizado em Cruzeiro do Sul

Entre os dias 17 à 19 de janeiro de 2023, o Distrito Sanitário Especial indígena (Disei) do Alto Rio Juruá, promove seu I Encontro entre Parteiras Indígenas, objetivando a troca de saberes e experiências entre parteiras que atuam nas mais diferentes terras indígenas de abrangência do Juruá.

No total, 20 parteiras indígenas participaram da atividade, onde compartilharam práticas importantes voltadas a mulher durante a gestação, ao parto e aos cuidados com o recém nascido. Cada uma recebeu seu kit de parto, contendo equipamentos de proteção individual, como por exemplo, máscaras, luvas, toucas, além de álcool, e equipamentos para escutar batimentos cardiofetais e aspiração das vias aéreas dos bebês, sendo orientados os critérios de utilização.

Na oportunidade, estiveram presentes parteiras dos povos: Huni kuin, Shanenawa, Jaminawa, Arara, Apolima Arara e Nukini, ambas vindas dos municípios de Feijó, Tarauacá, Jordão, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo e Mâncio Lima.

Conforme Mateus Torquato, enfermeiro que atua na divisão de atenção à saúde indígena no Juruá, o encontro é fundamental pois reforça a capacitação das participantes já que atualmente a população indígena na região ultrapassa mais de 19 mil pessoas.

Foto: Reprodução

“O distrito sanitário especial indígena Alto Rio Juruá é responsável por oferecer atendimento de atenção básica a uma população de em média 19.600 indígenas distribuídas em 8 municípios e em 162 aldeias. Nascem, aproximadamente, 460 indígenas em um ano, sendo que cerca de 80% desses nascimentos ocorrem no âmbito das aldeias auxiliados pelas parteiras”, explica.

Para Aline Fernanda, enfermeira obstetra e professora da Ufac, a parceria com o Disei vem realizando capacitações, não só com as parteiras mas também com enfermeiros que atuam nas áreas indígenas do Juruá. “No ano passado, em novembro, nós tivemos uma formação para os enfermeiros assistenciais que atendem nas aldeias, uma capacitação voltadas para o pré Natal e emergências obstétrica. E dando continuidade, voltamos o cuidado para capacitar as parteiras indígenas”, ressalta.

Ainda segundo a enfermeira, na quarta-feira (18), foi o primeiro dia. Onde foi trabalhado a importância do pré-natal, a importância da participação delas e também das consultas junto com os enfermeiros nas aldeias.

Para facilitar o acesso das participantes, o Disei garantiu o deslocamento aéreo, Fluvial e terrestre, além de hospedagem e alimentação para todas as parteiras.

A indígena, Raimunda Moreira de Lima tem 78 anos e pertence à etnia Jaminawua Arara. Ela revela que já realizou mais de 3 mil partos, a maioria em pessoas não indígenas, de comunidades vizinhas. “Eu aprendi sozinha, tinha 18 anos de idade quando comecei a fazer parto. Meu primeiro procedimento foi com minha irmã, ela tinha 13 anos de idade quando teve seu primeiro filho”, relata Raimunda.

Já outra indígena, diz que aprendeu a fazer parto com sua sogra. Ela conta que faz o parto quando a criança e a mãe estão bem. “Fiz mais de 25 partos, dentre eles, os mais difíceis são quando a criança coloca primeiro os pés ou quando vem laçada, ou seja, desmaiada e prematura”, destaca.

Foto: Reprodução