Cruzeiro do Sul, Acre 12 de março de 2026 04:34

Porcos teriam comido corpos dos fugitivos do Acre encontrados carbonizados na fronteira, diz polícia

A Polícia Civil do Acre encontrou, na tarde desta quinta-feira (7), ao menos dois corpos carbonizados e fragmentos ósseos em uma residência incendiada na zona rural da Vila Mapajo, região de fronteira entre Capixaba (AC) e a Bolívia. Os restos mortais seriam de foragidos do Presídio Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, e a cena chocante do crime aponta para um desfecho ainda mais macabro: porcos criados no local podem ter devorado partes das vítimas.

De acordo com os investigadores, havia pelo menos cinco brasileiros na casa no momento do crime. Até agora, foram localizados dois corpos praticamente destruídos pelo fogo e fragmentos humanos, como um crânio, espalhados pelo terreno. No local, uma grande quantidade de porcos soltos levanta a suspeita de que os animais tenham consumido partes dos cadáveres e espalhado ossos pela mata e até por córregos da região.

“É uma linha de investigação concreta. A presença dos porcos e o estado dos restos mortais indicam que os animais podem ter sido usados para ocultar os corpos”, afirmou um agente da Polícia Civil.

A residência onde os corpos foram encontrados foi completamente destruída pelas chamas. Testemunhas relataram ter visto o imóvel em chamas durante a madrugada. A hipótese mais forte até o momento é de que o crime tenha sido cometido por membros do próprio Comando Vermelho, facção à qual pertenciam os foragidos. Informações extraoficiais indicam que o grupo teria se desentendido após um suposto crime cometido na Bolívia, o que teria motivado a chacina e a queima dos corpos como forma de represália.

Desde quarta-feira (6), a Polícia Civil já monitorava a presença de fugitivos na região, com apoio de agentes bolivianos. Segundo as investigações, fazendeiros ligados à facção criminosa estariam abrigando os foragidos do sistema prisional acreano na zona rural do país vizinho. Com autorização das autoridades bolivianas, equipes da Polícia Civil de Plácido de Castro cruzaram a fronteira para atuar nas buscas.

Pelo menos 15 fugitivos ainda estariam escondidos na região de mata fechada entre os dois países. As vítimas encontradas foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML) de Rio Branco, mas a identificação só será possível após exames de DNA.

A Polícia Civil trata o caso como homicídio qualificado com destruição e ocultação de cadáveres, e não descarta novas prisões nos próximos dias.