Cruzeiro do Sul, Acre 9 de maio de 2026 17:43

Piloto e passageira de aeronave que caiu no Acre há mais de 50 dias seguem internados no Amazonas

A biomédica Amélia Cristina Rocha, 28 anos, e Valdir Roney Mendes, de 59 anos, passaeira e piloto do avião que caiu em Manoel Urbano, interior do Acre, no dia 18 de março, seguem internados na Unidade de Terapia Intensiva se recuperando dos ferimentos.

👉 Contexto: Sete pessoas estavam a bordo da aeronave que caiu após decolar, incluindo o piloto, sendo quatro homens e três mulheres. Eles seguiam para a cidade de Santa Rosa do Purus, distante 150 km do município de onde decolaram. Sidney Estuardo Hoyle Vega, comerciante peruano, morreu no acidente. Nove dias depois, Suanne Camelo morreu em Manaus (AM).

Ambos estão em tratamento no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus. A direção da unidade hospitalar confirmou que Valdir Roney foi extubado na quarta-feira (8) e que o quadro de saúde é grave e estável. O g1 não conseguiu contato com a família do piloto da aeronave.

Aeronave ficou destruída após queda — Foto: Arquivo pessoal

Aeronave ficou destruída após queda — Foto: Arquivo pessoal

Se recuperando de pneumonia

Ao g1, o pai de Amélia, Manoel da Rocha Neto, disse que a biomédica pegou uma pneumonia dentro do hospital, mas que está melhorando e foi extubada na quarta. A jovem deve ainda passar por uma cirurgia no quadril.

“Está se recuperando bem, ainda vai fazer uma cirurgia no quadril, mas as queimaduras já estão bem melhores. Está estável, tiraram a intubação dela, teve pneumonia e está sendo tratada.”, confirmou.

Ainda segundo o pai, Amélia é acompanhada por um irmão, a mãe e o marido, o dentista Bruno dos Santos, que estava no avião e se recuperou dos ferimentos no Pronto-Socorro de Rio Branco.

“Estão com ela lá, passam uma hora com ela na visita. Estão restringindo a fala por causa da intubação para se recuperar bem. Bruno foi pra lá há umas três semanas ficar com ela”, resumiu.

Veja quem são os sobreviventes

  • Roney Mendes, de 59 anos – piloto do avião. Transferido no dia 22 de março em UTI aérea para o Centro de Tratamento de Queimados de Manaus.
  • Mateus Jeferson Fontes, 26 anos – noivo de Suanne. Foi transferido para o Centro de Tratamento de Queimados no dia 24 de março. Ele recebeu alta médica no dia 4 de abril e voltou para Rio Branco no dia seguinte.
  • Amélia Cristina Rocha, 28 anos – biomédica. Foi a primeira paciente transferida para unidade especializada de Manaus. Foi extubada no dia 25 de março, mas continuou na UTI, onde segue o tratamento.
  • Bruno Fernando dos Santos, 36 anos – dentista e marido de Amélia. Recebeu alta do Pronto-Socorro de Rio Branco no dia 25 de março.
  • Deonicilia Salomão Kalisto Kaxinawá, 15 anos – estudante. Visitava a família em Manoel Urbano e foi a que se feriu com menos gravidade. Recebeu alta do hospital de Manoel Urbano no dia 25 de março.
Sobreviventes do acidente de avião em Manoel Urbano — Foto: Reprodução

Sobreviventes do acidente de avião em Manoel Urbano — Foto: Reprodução

Investigações

O avião Cessna Skylane 182 tinha capacidade para transportar, no máximo, quatro pessoas. Entretanto, seis passageiros e o piloto estavam dentro da aeronave no momento da queda. Além disso, não tinha autorização para atuar como táxi aéreo. O avião caiu logo após a decolagem, a 1 quilômetro da cabeceira da pista, e estava a caminho de Santa Rosa do Purus, distante 150 km do município onde ocorreu o acidente.

As investigações continuam em busca de respostas que levem às causas do acidente aéreo. A apuração é feita pela Polícia Civil de Manoel Urbano e pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

No site do Cenipa, é possível encontrar que as possíveis causas do acidente seja falha ou mau funcionamento do motor.

À Rede Amazônica Acre, os representantes do centro informaram que as investigações sobre o acidente estão em andamento e que os dados constantes no painel do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer) ‘tem por finalidade apresentar o status atual do tratamento da notificação. Seu teor ainda pode ser alterado e não vincula obrigatoriamente as conclusões que serão publicadas no relatório final de investigação’.

As investigações da Polícia Civil são conduzidas pela delegada Jade Dene. Ela ouviu os sobreviventes que já receberam alta médica, como a adolescente Deonicilia Salomão Kalisto Kaxinawá, o dentista Bruno Fernando dos Santos, marido de Amélia, Mateus Jeferson Fontes e algumas testemunhas.

A delegada aguarda ainda a conclusão da perícia para avançar nas investigações.

Qual era a situação do avião?

O Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aponta que o avião registrado com o prefixo ‘PT-JUN’ tinha registro para serviço aéreo privado, mas não poderia ser utilizado como táxi aéreo já que estava com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) vencido desde o dia 1º de junho de 2019.

O serviço de táxi aéreo consiste em transportar passageiros a curta distância, como é o caso destas viagens intermunicipais. Desse modo, cada passageiro paga uma quantia pela passagem e, quando alcançar a quantidade máxima de pessoas na lotação, o voo sai rumo ao destino final. Como Santa Rosa do Purus é um dos municípios isolados do estado, os meios de acesso são apenas por barco ou avião.