Cruzeiro do Sul, Acre 8 de março de 2026 01:24

O que se sabe sobre o incêndio que fechou o aeroporto Heathrow, em Londres

O Aeroporto de Heathrow, em Londres, foi fechado nesta sexta-feira (21) após uma “queda de energia significativa”, provocando caos em um dos terminais aéreos mais movimentados do mundo.

O fechamento desta sexta-feira foi causado por um incêndio em uma subestação elétrica na cidade de Hayes, a apenas alguns quilômetros do aeroporto, que interrompeu o fornecimento de energia local. A ocorrência provocou alterações em mais de 1.000 voos e forçou pilotos a desviar rotas.

Mais de 145 mil passageiros podem ser afetados pelo fechamento, que as autoridades alertaram que pode se transformar em “interrupção significativa” nos próximos dias.

Os aviões que pousariam em Heathrow partiram de cidades ao redor do mundo, incluindo Sydney, Hong Kong, Bangkok, Cingapura, Johanesburgo, Nova York e Miami.

“Esperamos uma interrupção significativa nos próximos dias e os passageiros não devem viajar para o aeroporto sob nenhuma circunstância até que ele reabra”, afirmou a direção do Aeroporto de Heathrow em uma declaração à CNN, acrescentando que “não têm clareza sobre quando a energia pode ser restaurada de forma confiável”.

As autoridades iniciaram uma investigação sobre a causa do incêndio na subestação, que ainda está em andamento, mas agora está sob controle. Até agora, não há sinais de crime, de acordo com a polícia.

O que aconteceu

Um transformador em uma subestação elétrica no subúrbio de Hayes, em Londres, pegou fogo na noite da última quinta-feira (21), de acordo com o Corpo de Bombeiros.

Dez caminhões e cerca de 70 bombeiros foram mobilizados para combater o incêndio, diz a corporação. Um cordão de isolamento de 200 metros foi instalado ao redor do local.

“O incêndio em Hayes agora está sob controle, mas permaneceremos no local durante todo o dia”, disse o Corpo de Bombeiros em uma atualização no X.

“Na atualização mais recente que recebi, aproximadamente 10% permanece aceso”, disse o vice-comissário do Corpo de Bombeiros de Londres. Jonathan Smith, em uma entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira.

“O incêndio envolveu um transformador contendo 25 mil litros de óleo de resfriamento, totalmente aceso. Isso criou um grande risco devido ao equipamento de alta tensão ainda ativo e à natureza do incêndio de óleo combustível”, acrescentou Smith.

Cerca de 150 pessoas foram evacuadas do bairro, disse a brigada. Mais de 16 mil casas ficaram sem energia, de acordo com a fornecedora de serviços públicos Scottish and Southern Electricity Networks — com a National Grid da Grã-Bretanha “trabalhando em alta velocidade” para restaurar a energia.

Não há confirmação de feridos.

“À medida que avançamos pela manhã, espera-se que a interrupção aumente, e pedimos às pessoas que evitem a área sempre que possível”, disse o comissário assistente do Corpo de Bombeiros, Pat Goulbourne, em um comunicado.

Na nota à CNN, o aeroporto informou: “Sabemos que isso será decepcionante para os passageiros e queremos garantir que estamos trabalhando o máximo possível para resolver a situação”.

Vídeos publicados em redes sociais mostram grande parte do aeroporto no escuro. Os terminais 2 e 4 ainda estão sem energia, segundo os bombeiros.

Aeroporto de Heathrow, em Londres, ficou no escuro após incêndio nas proximidades do terminal • Reuters

Como o incêndio começou

As investigações sobre como o incêndio começou estão em andamento e a polícia antiterrorismo de Londres está liderando o caso, “dado o impacto que este incidente teve na infraestrutura nacional crítica”.

Um porta-voz da polícia disse que não havia “nenhuma indicação de crime”, mas os detetives “mantêm a mente aberta” sobre a causa.

O ministro da energia da Grã-Bretanha também disse que não havia “nenhuma sugestão” de crime. “No momento, o foco está em restaurar a energia. Ainda não temos nenhuma compreensão real do que causou o incêndio”, disse Ed Miliband à Rádio LBC de Londres.

“Não há nenhuma sugestão de que haja crime, apenas um acidente catastrófico. É o que estamos vendo”, acrescentou.

O fornecimento de energia de reserva em Heathrow também foi atingido pelo incêndio. Anteriormente, um analista de aviação disse à CNN que a falha aparente do fornecimento de eletricidade de reserva do aeroporto era “extraordinária”.

“Tem que haver um plano B”, disse o analista de aviação Geoffrey Thomas, destacando que o aeroporto é um dos principais do mundo e essencialmente importante para a economia do Reino Unido.

Em uma entrevista à BBC, Miliband alertou que lições terão que ser aprendidas sobre “proteção e resiliência que estão em vigor para grandes instituições como Heathrow”.

Aviões parados no aeroporto de Heathrow, em Londres • Leon Neal/Getty Images

Impactos do apagão

Analistas preveem uma miríade de desafios de fornecimento para companhias aéreas que tentam redirecionar centenas de voos de e para o aeroporto de Londres –uma base de viagens recebe 250 mil passageiros e 1.300 voos dos Estados Unidos, Sudeste Asiático e Oriente Médio todos os dias.

Heathrow foi o quarto aeroporto mais movimentado do mundo em 2023, de acordo com os dados mais recentes. No ano passado, um recorde de 83,9 milhões de passageiros passaram por lá. Distribuído em quatro terminais, ele geralmente opera com 99% da capacidade, com todas as principais companhias aéreas cruzando o hub.

Só nesta sexta-feira, mais de 1.350 voos entrando ou saindo do aeroporto serão afetados, de acordo com o site FlightRadar24. No momento do fechamento, 120 voos aéreos foram imediatamente desviados para outros aeroportos ou retornados ao seu local original.

O processo para decidir para onde os voos seriam desviados é dinâmico e “rápido”, de acordo com o analista de aviação Shukor Yusof.

“Isso requer muita coordenação entre a autoridade do Reino Unido e a companhia aérea que está pousando”, disse Yusof, acrescentando que voos de longa distância apresentam “um desafio mais complexo” para redirecionamento.

Apenas um número limitado de vagas em aeroportos próximos estaria disponível, forçando as companhias aéreas a buscar outras opções fora do Reino Unido, explicou. Um fator importante e potencialmente decisivo no redirecionamento seria o combustível, já que os pilotos também podem ser solicitados a circular no ar enquanto esperam por uma pista livre para pousar, acrescentou.