Cruzeiro do Sul, Acre 30 de julho de 2026 16:57

“Nenhum policial sai de casa com o objetivo de matar”, diz subcomandante após morte de assaltantes em Cruzeiro do Sul

“Nenhum policial sai de casa com o objetivo de matar ninguém.” A afirmação é do subcomandante da Polícia Militar de Cruzeiro do Sul, capitão Tales Campos, ao comentar a morte de dois jovens, de 18 e 21 anos, durante uma tentativa de assalto a uma loja de telecomunicações no município. Os dois foram mortos na loja da Vivo no Centro de Cruzeiro do Sul nesta quarta-feira, 29, por um policial militar que estava no local.

Segundo o oficial, a Polícia Militar tem como missão proteger a sociedade e o policial envolvido na ocorrência estava de folga quando se deparou com a situação. Conforme o relato apresentado pelo militar, ele reagiu depois que os dois homens anunciaram o roubo e um deles entrou no estabelecimento com uma arma em punho.

“Policial nenhum sai de casa com o objetivo de matar ninguém. A Polícia Militar tem um juramento, jura defender a sociedade mesmo com o sacrifício da própria vida. Então, o policial militar de folga viu uma situação de perigo ali, e a integridade física dele e da população, ele agiu ali respaldado, conforme todos os relatos apresentados por ele,respaldado pela legítima defesa, que é uma excludente de ilicitude.É claro que vai correr o devido processo legal naturalmente.O indivíduo que não reage contra a equipe policial, qualquer que seja a força de segurança, ele será preso e encaminhado à delegacia.Aquele que escolher reagir, ele vai, de maneira proporcional e moderada, ele vai receber com vigor a ação por parte das forças de segurança como um todo”, afirmou o subcomandante.

Assalto começou com pergunta sobre carregador

De acordo com a versão apresentada à Polícia Militar, os dois homens chegaram à loja armados. Um deles entrou no estabelecimento e perguntou ao vendedor se havia carregador de iPhone.

O funcionário respondeu que sim. Na sequência, o suspeito teria olhado para o comparsa que estava do lado de fora e confirmado que o produto estava disponível.Ainda segundo o relato do policial, o comparsa respondeu que queria o carregador e entrou na loja usando capacete. Foi então que, segundo a PM, o assalto foi anunciado. Os dois estavam armados, e um deles teria entrado com a arma em punho. Diante da ameaça, o policial militar que estava no estabelecimento reagiu.

O militar efetuou alguns disparos contra os suspeitos, que foram atingidos e caíram no local.Após a ação, o policial acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM), que enviou equipes para atender a ocorrência.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado para prestar atendimento aos dois homens, mas a equipe constatou que ambos estavam mortos.Em seguida, a Polícia Técnica e Científica foi chamada para realizar a perícia.

O subcomandante destacou que todas as instituições envolvidas cumpriram suas funções e que o caso seguirá os trâmites legais.“É claro que vai correr o devido processo legal naturalmente”, afirmou.

Pistola, simulacro e motocicleta roubada

Durante a ocorrência, os policiais apreenderam uma pistola calibre .380, com dez munições intactas, além de um simulacro de arma de fogo.

Segundo o subcomandante, o simulacro apresentava características muito semelhantes às de uma arma verdadeira.Uma motocicleta com restrição de roubo e furto também foi recuperada. Conforme a PM, o veículo havia sido roubado no dia anterior.

PM aponta possível ligação com outros crimes

O militar afirmou ainda que um dos jovens, que possuía uma tatuagem na mão, teria sido reconhecido por uma vítima de roubo de táxi ocorrido em Guajará. Segundo ele, mesmo com os suspeitos encapuzados durante o crime, a tatuagem teria sido utilizada pela vítima como característica de reconhecimento.

A possível participação dos dois em outros crimes deverá ser analisada pela Polícia Civil durante as investigações.

O oficial também afirmou que a PM trabalha com a hipótese de que os envolvidos possam estar inseridos em uma dinâmica de criminalidade organizada, ressaltando que essa eventual relação deverá ser comprovada pelas investigações.

“Ou presídio ou a morte”, afirma subcomandante

Ao comentar a morte dos dois jovens, o subcomandante fez uma crítica ao envolvimento de jovens com a criminalidade e afirmou que, segundo sua avaliação, quem escolhe esse caminho fica sujeito a consequências graves.

“Dois homens jovens, um de 18 e outro de 21 anos. Infelizmente, a gente bem sabe que o caminho daqueles que escolhem a criminalidade são dois: ou presídio ou a morte”, declarou.

O oficial ressaltou ainda que cada pessoa possui autonomia para fazer suas escolhas, mas afirmou que os dois jovens acabaram mortos durante a tentativa de assalto. A Polícia Militar informou que testemunhas estavam no local no momento da tentativa de assalto. Os relatos foram registrados no boletim de ocorrência e deverão ser formalmente colhidos pela autoridade policial.Segundo o subcomandante, o depoimento do policial militar também foi registrado e será analisado juntamente com os demais elementos da investigação.

“As testemunhas, como um todo, foram relatadas no boletim e vão ser ouvidas pela autoridade policial, no caso, o delegado de polícia. Vai ser colhido todos os termos deles”, explicou.

A investigação deverá esclarecer toda a dinâmica da ocorrência, incluindo a forma como os suspeitos anunciaram o assalto, a reação do policial, a sequência dos disparos e as circunstâncias que levaram à morte dos dois homens.

Para a Polícia Militar, a versão apresentada até o momento é de que o policial de folga reagiu diante de uma ameaça armada e agiu em legítima defesa. A confirmação das circunstâncias, no entanto, caberá à investigação e às autoridades responsáveis pelo caso.