As condições da BR-364, principal ligação terrestre entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, voltaram a preocupar motoristas que trafegam pela rodovia. Um vídeo enviado ao ContilNet neste sábado (31) mostra um trecho entre Jurupari e Juriti-Parí com buracos ao longo da pista, veículos circulando pelas laterais da estrada e dificuldades de deslocamento.
Segundo o motorista responsável pela gravação, um percurso de apenas 10 quilômetros pode levar quase duas horas para ser concluído.
Nas imagens, ele relata que as condições da estrada tornam a viagem cada vez mais difícil e demonstra preocupação com a chegada do período de chuvas, quando o aumento das dificuldades de tráfego pode provocar atoleiros e comprometer ainda mais a circulação de veículos.
“Um trecho aqui de 10 quilômetros, gastando praticamente quase duas horas para andar 10 quilômetros”, afirma.
Procurado pelo ContilNet, o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Acre, Ricardo Araújo, negou que a rodovia esteja abandonada e explicou que os serviços de manutenção tiveram o ritmo reduzido em razão da diminuição dos recursos financeiros repassados às empresas responsáveis pelas obras.
“Estamos com a obra lá, não é que está abandonada. Nós estamos com uma redução do financeiro, isso já há mais ou menos um mês. As empresas diminuíram o ritmo”, explicou.
Ricardo afirmou que esteve em Brasília nesta semana para tratar da liberação de novos recursos e disse que existe a expectativa de retomada dos trabalhos. Segundo ele, dois trechos concentram atualmente as maiores preocupações do departamento.
O primeiro está localizado entre os quilômetros 415 e 426, onde, conforme o superintendente, aproximadamente 8 a 10 quilômetros apresentam condições consideradas muito ruins. O segundo fica entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul, cerca de 30 quilômetros antes da região do Rio Gregório.
“Esse aí é que nós estamos mais preocupados e a gente está vendo recursos para continuar essas obras”, declarou.
O superintendente reconheceu que ainda existem pontos críticos, mas afirmou que as condições gerais da rodovia melhoraram em comparação com períodos anteriores. Ele também informou que o DNIT trabalha na preparação para o inverno amazônico, com o objetivo de manter a trafegabilidade durante os meses de chuva.
Excesso de peso contribui para deterioração da rodovia
Durante a entrevista, Ricardo Araújo apontou o transporte de madeira em caminhões com cargas acima do limite permitido como outro fator que contribui para o desgaste da BR-364.
“Infelizmente, os caminhões de madeira estão passando com muito peso acima do permitido. Isso aí vai destruindo a estrada cada vez mais”, afirmou.
Segundo o superintendente, o departamento pretende reforçar a fiscalização desse tipo de transporte para evitar que o excesso de carga acelere a deterioração do pavimento.
Reconstrução de trechos deve avançar
Ricardo também informou que um dos projetos de reconstrução da rodovia, no trecho entre Sena Madureira e o entroncamento de Manoel Urbano, já passou pelo processo de licitação e está em fase de finalização. A intervenção deverá contemplar aproximadamente 100 quilômetros.
Outro trecho, entre Macapá e Feijó, também deverá entrar em processo de licitação até dezembro.
De acordo com o superintendente, as duas intervenções representam uma etapa importante para melhorar as condições de trafegabilidade da rodovia.
“Com essas duas empresas, com esses dois trechos de 100 quilômetros, a gente acredita que vai resolver 50% dos nossos problemas da estrada”, avaliou.
Ele ponderou, no entanto, que os resultados não serão imediatos. A previsão é que as obras de reconstrução levem de dois a três anos para serem concluídas.
Orçamento de 2027 ainda não está definido
Ao comentar os recursos destinados à BR-364, Ricardo explicou que a previsão orçamentária para 2026 era de aproximadamente R$ 580 milhões. Entretanto, segundo ele, o volume efetivamente disponibilizado ficou abaixo da meta estabelecida.
“Nós precisávamos de uma meta de R$ 580 milhões e só veio até agora R$ 350 milhões”, afirmou.
Em outro momento da entrevista, o superintendente mencionou R$ 380 milhões como o montante disponibilizado até então.
Para 2027, ainda não há um cronograma orçamentário definido. A expectativa, segundo Ricardo, é de que os recursos destinados à rodovia permaneçam em patamar semelhante ao previsto para 2026, mas a definição dependerá da próxima gestão.