Cruzeiro do Sul, Acre 21 de maio de 2026 11:36

Influencer Deolane Bezerra é presa em operação contra o PCC em SP

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) após investigações que apontam ligação entre ela e o PCC (Primeiro Comando da Capital). A “Operação Vérnix” foi deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo).

São cumpridos seis mandados de prisões preventivas. Além de Deolane, entre os alvos estão Marco Herbas Camacho (Marcola), que já está preso, um irmão e dois sobrinhos do homem apontado como número 1 da facção, e um investigado que seria operador financeiro do esquema, identificado como Everton de Souza, vulgo “Player”.

Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • Reprodução/Instagram Deolane Bezerra

Além dos mandados, ainda há o cumprimento de outras medidas judiciais como bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de quatro imóveis vinculados aos investigados.

Investigações

As apurações começaram no ano de 2019, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos pela Polícia Penal no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, que estavam com dois presos. Os conteúdos dos materiais revelaram algumas dinâmicas internas do PCC, como atuação de lideranças encarceradas e possíveis ataques contra agentes públicos.

Com isso, a polícia instaurou três inquéritos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura criminosa investigada.

O primeiro inquérito teve como foco direto os dois sentenciados que estavam com os bilhetes. A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos.

Os dois foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal. Entre os trechos analisados, existia a menção de uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pelo PCC.

O segundo inquérito buscou identificar quem seria a mulher mencionada e qual seria a relação da transportadora com a facção. As diligências conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.

A investigação resultou na Operação Lado a Lado, que revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção.

Durante a operação, a apreensão de um celular abriu uma nova frente investigativa. O conteúdo retirado do dispositivo revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula do PCC, além de indícios de repasses financeiros e conexões com Deolane Bezerra, uma das maiores influencers do Brasil.

O papel de Deolane

Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • CNN Brasil/Reinaldo Macedo

Segundo os investigadores, Deolane tinha estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada. Foi a partir do material que nasceu a “Operação Vérnix”, terceira etapa da investigação. O objetivo da ação era expor ainda mais o esquema mais amplo de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.

As apurações apontam que a influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC.

Os levantamentos mostraram o uso de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

A investigação também identificou o uso de estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas, mecanismo que teria como finalidade dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação dos recursos.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, as operações financeiras e movimentações bancárias analisadas durante as investigações não apresentaram justificativa lícita suficiente.

A “Operação Vérnix” também tem dimensão internacional. Três investigados estariam fora do país, em países como Itália, na Espanha e Bolívia. Por isso, a Polícia Civil representou pela inclusão deles na Lista Vermelha da Interpol, por meio de difusão vermelha. O objetivo é encontrá-los e adotar as providências legais contra os alvos.

Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:

“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. 

Acusar é fácil. Difícil é provar.

No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública…para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.

Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.

Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”

A CNN tenta localizar a defesa dos citados. O espaço está aberto para manifestações.