Cruzeiro do Sul, Acre 15 de setembro de 2026 21:36

Homem executado na Várzea gravou vídeo em 2018 saindo da facção

Francisco Gama Carneiro, de 38 anos, conhecido como “Kiko”, executado com vários tiros na noite desta segunda-feira, 14, no bairro da Várzea, em Cruzeiro do Sul, havia anunciado, anos antes, que estava deixando a facção criminosa Comando Vermelho e retornando para uma igreja evangélica.

A decisão foi registrada em um vídeo gravado em 2018 ao lado do pastor Carlos Mariano, presidente da Igreja Batista do Bosque em Cruzeiro do Sul. Na gravação, o religioso comemora o retorno de Francisco à igreja e afirma que ele fazia parte da facção criminosa. “O coração está muito alegre, estamos muito felizes, porque essa ovelha está de volta”, declarou o pastor na ocasião.

Na noite desta segunda-feira, 14, Francisco estava no Campo do Abraão, no bairro da Várzea, quando, segundo testemunhas, homens chegaram em uma motocicleta e efetuaram vários disparos contra ele, que morreu no local.

Após o homicídio dele, o pastor Carlos Mariano publicou nas redes sociais o vídeo gravado em 4 de setembro de 2018 e lamentou a morte de Francisco. Segundo o pastor, depois de deixar a facção, ele permaneceu por algum tempo frequentando a igreja, mas posteriormente se afastou.

“Gravei este vídeo no dia 4 de setembro de 2018, quando Gama renunciava à facção criminosa Comando Vermelho. Por um tempo, ele caminhou conosco e conheceu a Palavra. Depois, infelizmente, se afastou dos caminhos do Senhor. Quem me conhece sabe o quanto lutei e o quanto tentei ajudá-lo a reencontrar o caminho de Jesus. Hoje recebi, com muita tristeza, a notícia de que ele foi assassinado. Fica a dor de uma vida que poderia ter tido outro fim. Meus sentimentos a toda a família. Que o Senhor console cada coração neste momento tão difícil”, escreveu o pastor.

A Polícia Militar esteve no local do homicídio, colheu informações e realizou buscas para tentar identificar os autores da execução. Testemunhas também relataram ter ouvido muitos fogos de artifício nas proximidades em horário próximo ao crime. A eventual relação dos fogos com o homicídio deverá ser apurada durante as investigações. Até o momento, ninguém foi preso e a motivação da execução não foi oficialmente esclarecida.