Um grupo de pais se reuniu em frente da Secretaria Municipal de Educação (Seme) de Rio Branco, na manhã desta terça-feira (10), para pedir por mediadores para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e alegam que as escolas não contam com os profissionais suficientes para garantir a demanda.
Karina Menezes, mãe de gêmeos e a filha com TEA, não tem o mediador para ela na escola onde estuda.
“Tenho uma filha autista e preciso disso, porque a gente vem na Seme e não dão uma reposta, falam que precisa de uma avaliação e se a pessoa que fizer essa avaliação falar que não precisa de um mediador, não vão mandar. Tem o pessoal para ser chamado [do concurso]. Isso é um absurdo. Não queremos o cuidador, nenhuma mãe aqui quer o cuidador, queremos mediador, nossas crianças não precisam de alguém que segure na mão para levar ao banheiro eles precisam de alfabetização é isso que estamos questionando”, disse.
A secretária Nabiha Bestene recebeu representantes dos pais que estavam no ato para uma conversa e também representante do Sindicato do Trabalhadores em Educação (Sinteac).
Em entrevista à Rede Amazônica, a secretária disse que está sendo feita uma avaliação pedagógica das crianças autistas da rede para ver quantos e quais deles vão precisar de mediador e que após esse censo, será analisada a possibilidade de contratação de mais profissionais.
“Este ano, nós já chamamos 99 que passaram no concurso de 2019, dentre eles mediadores, alguns não compareceram, a gente respeitou a legislação e estamos aguardando para chamar os demais que estão em seguida”, disse.
Luciana Rocha, tem um filho de três anos, e diz que ele não tem ido à escola todos os dias por faltar o mediador na classe.
“Ele não vai pra aula todos os dias, vai um dia sim e um dia não porque não tem mediador, o professor não consegue dar conta de tantas crianças autistas e alguns com nível mais elevado. Por isso, estamos aqui reivindicando um direito, não é um favor. Existem as leis. Os gestores sempre falam que estão em avaliação, se envia ou não. Mas, antes de iniciar ano letivo já entregamos o laudo então porque essa demora? Vai esperar chegar o meio do ano para fazer alguma coisa. É uma exclusão. Pra começar, porque o meu que é autista não pode ir para a escola todo dia”, pontuou.
Insatisfação
Nessa segunda, algumas mães de alunos com TEA e outras necessidades especiais da Escola Infantil Vovó Mocinha Magalhães, já tinham demonstrado insatisfação com a falta de mediadores para os filhos no colégio. Segundo a denúncia, as aulas começaram há cerca de três semanas e em algumas não tem professor fixo.
Sobre esta demanda, o secretário adjunto da Seme, Paulo Machado, afirmou que os profissionais já foram contratados e iniciam o atendimento ainda esta semana. Segundo ele, houve um aumento de alunos que precisam de atendimento especial que não foi previsto pela gestão.
A Seme informou que de acordo com dados de 2021, a rede municipal tem 489 alunos autistas e conta com 232 mediadores, sendo que deste número, 38 estão afastados e para cobrir estes profissionais afastados são feitas aulas suplementares e os 134 cuidadores farão hora extra. O Censo dados reais de 2022 deve sair dia 25 de maio.
Colaborou kelton Pinho, da Rede Amazônica Acre.