Após o desabamento da Ponte Padre Paolino Baldassari, ocorrido no dia 5 de junho, em Sena Madureira, os escombros permanecem no leito do Rio Iaco, bloqueando parte do canal e afetando o transporte hidroviário e a rotina da comunidade local. O Governo do Estado do Acre recebeu autorização parcial do Instituto de Criminalística (IC), órgão pericial ligado à Polícia Civil do Acre (PCAC), para dar início à retirada de parte dos destroços da estrutura.
A informação foi confirmada com exclusividade à reportagem do ContilNet nesta quarta-feira (28), pelo delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Buzolin. Segundo ele, a perícia ainda não foi concluída devido à complexidade dos fatos relacionados ao desabamento.
Operação de remoção dos escombros poderá ultrapassar R$ 30 milhões. Foto: Contilnet
De acordo com informações do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o custo da operação de remoção dos escombros poderá ultrapassar R$ 30 milhões, principalmente devido à complexidade da retirada das grandes estruturas que permanecem no leito do Rio Iaco.
A construção da ponte custou aproximadamente R$ 36 milhões. Com isso, somente o serviço de remoção dos destroços poderá alcançar um valor próximo ao investido na execução da obra.
Questionado pela reportagem sobre a previsão para o início dos trabalhos e o que ainda falta para que o serviço seja executado, o delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Buzolin, esclareceu que a responsabilidade por essa etapa não cabe à instituição.
“Esta parte não está sob a governabilidade da Polícia Civil”, informou Buzolin.
Justiça bloqueou até R$ 36 milhões da construtora
Paralelamente às providências para retirada dos destroços, o desabamento é alvo de investigações nas áreas cível e criminal.
Em setembro deste ano, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) detalhou as medidas adotadas desde a queda da estrutura. Uma investigação criminal busca esclarecer as circunstâncias do acidente, inclusive a possível existência de omissões relacionadas à fiscalização e à execução da obra.
Na esfera cível, uma decisão judicial determinou o bloqueio de até R$ 36 milhões em bens da Construtora Cidade, responsável pela obra, além da suspensão de pagamentos do Estado à empresa. Governo e construtora também devem apresentar um plano conjunto com prazos e custos para reparação dos danos, desobstrução do local e reconstrução da ponte.
O MPAC informou ainda que as investigações continuam e que novas medidas poderão ser tomadas conforme forem concluídas as perícias e analisados os documentos relacionados ao caso.
Ponte caiu pouco mais de um ano após inauguração
A Ponte Frei Paolino Baldassari ligava o Primeiro ao Segundo Distrito de Sena Madureira e foi inaugurada no fim de 2023. A estrutura estava interditada desde o dia 4 de junho e desabou no dia seguinte. Quatro pessoas ficaram feridas no acidente.
Desde então, moradores enfrentam mudanças na rotina de deslocamento, enquanto autoridades trabalham para esclarecer as causas do colapso e definir as condições para desobstruir o Rio Iaco.
Com a nova estimativa obtida pelo ContilNet, o impacto financeiro provocado pelo desastre ganha uma nova dimensão: a retirada dos restos da ponte, sozinha, poderá consumir mais de R$ 30 milhões, antes mesmo de se considerar o custo de uma eventual reconstrução.
Construtora diz que ainda não sabe quem vai tirar restos de ponte
O bloqueio do leito do Rio Iaco pelos restos da ponte Padre Paolino Baldassari tornou-se ponto de discussão em Sena. Em entrevista concedida durante vistoria técnica no local, em junho, os sócios da Construtora Cidade, Roberto Santos e Raul Santos, afirmaram que o início da limpeza e a desobstrução do manancial — essencial para a navegação local — dependem de um acerto formal com o Governo do Estado e da apuração pericial do acidente.
Roberto lamentou que o primeiro contato com a atual gestão estadual ocorra sob circunstâncias trágicas. “É a primeira vez, a gente nem conhece a governadora, né? É uma situação ruim. Nós passamos por vários governadores aqui e nós vamos conversar e, no diálogo, nós vamos ver o que vai acontecer”, emendou.
Roberto Santos é dono da Construtora Cidade/Foto: Gleison Júnior/Orna Audiovisual
Complementando o posicionamento do colega, o outro sócio da empreiteira, Raul Santos, indicou que a pressa para limpar a área esbarra na necessidade técnica de preservar as evidências para entender o colapso da obra, avaliada em quase R$ 40 milhões.
“Nós não sabemos [quem retira] porque nós temos que determinar as causas, ok? A causa do sinistro tem que ser levantada”, argumentou Raul.
Raul Santos é sócio do irmão na construtora/ Foto: Gleison Junior/Orna Audiovisual
Apesar da cautela técnica, o empresário fez questão de frisar que há um interesse mútuo entre a iniciativa privada e o poder público para desimpedir o tráfego fluvial o quanto antes.
“Mas isso eu posso garantir que é da nossa vontade, e acredito que é da vontade do governo do Acre também, de acelerar o máximo possível a retirada dos escombros”, concluiu o empreiteiro.
O Governo ainda não informou o que será feito com os escombros da ponte, mas o espaço segue aberto para esclarecimentos.
