O nível do Rio Juruá continua em elevação em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, após transbordar pela quinta vez em quatro meses no último domingo (26). Segundo a Defesa Civil, a cheia já afeta 3.720 pessoas no município. No entanto, ainda não há desabrigados ou desalojados.
Na medição da manhã desta segunda-feira (27), o manancial marcou 13,46 metros, com aumento de 36 centímetros em 24 horas, e permanece acima da cota de transbordo, que é de 13 metros. Ao todo, 930 famílias estão afetadas direta ou indiretamente pela cheia, que atinge onze bairros da zona urbana, sete comunidades rurais e uma vila do município.
O último transbordo ocorreu no dia 30 de março, há quase um mês, quando o manancial marcou 13,31 metros e atingiu, naquela ocasião, oito bairros e oito comunidades rurais. Na última cheia, o Rio Juruá permaneceu nesta marca por mais de uma semana.
A Defesa Civil informou ainda que os rios Moa, Juruá Mirim, Valparaíso e Liberdade também apresentam elevação no nível das águas.
- Os locais atingidos pelas águas na zona urbana são: Remanso, Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro e Centro.
- Já as comunidades rurais afetadas são: Tapiri, Laguinho, Florianópolis, Humaitá do Moa, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso e Simpatia.
- A vila afetada é: Santa Rosa.
Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril.
Conforme o coordenador da Defesa Civil do município, Júnior Damasceno, no momento está sendo feito somente o monitoramento da situação já que, nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.
“Caso o rio suba mais ainda, então colocamos o nosso Plano de Contingência para fazer as nossas ações [para a população que for afetada pelas águas]”, explicou.

Situação em municípios vizinhos
O aumento do Rio Juruá também tem impactado o município de Marechal Thaumaturgo, distante 142.79 km de Cruzeiro do Sul. Na medição da manhã desta segunda-feira (27), o Rio Juruá marcou 12,78 metros na cidade isolada, mas já apresenta vazante, segundo a Defesa Civil municipal.
No entanto, 25 famílias estão desabrigadas. Elas estão sendo acolhidas na Escola Manoel Rodrigues de Araújo, usada como apoio às famílias atingidas.
Ao g1, a Defesa Civil da cidade informou no último domingo (26) que as águas subiram tanto que cobriram a régua de medição, impossibilitando o acompanhamento do nível do manancial.
Além do Rio Juruá, os rios Amônio, Tejo e Bajé também transbordaram na região. Em uma publicação nas redes sociais, o prefeito Valdelio Furtado afirmou que as equipes da prefeitura seguem mobilizadas para garantir a segurança e assistência às famílias atingidas.
Cheia há menos de um mês
O transbordo do Rio Juruá ocorre após um período de vazante que havia permitido o retorno de famílias desabrigadas para casa no dia 8 deste mês.
O pico da cheia foi registrado no dia 3 de abril, quando o manancial atingiu 14,10 metros e afetou mais de 28 mil pessoas, o que totalizou 7.087 famílias em 12 bairros da zona urbana, 15 comunidades rurais e três vilas.
A cheia do manancial, registrada no início de abril, afetou bairros e comunidades do município e fez com que 59 famílias fossem levadas a abrigos montados na cidade, bem como outras três levadas a casa de parentes.
A elevação provocou alagamentos, retirada de moradores de áreas de risco, suspensão no fornecimento de energia elétrica para parte das famílias e interrupção no abastecimento de água potável.
Decreto de emergência
Devido às cheias de rios em várias regionais do estado, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) do último domingo (5) e reconhecida pelo governo federal em 14 de abril.
O decreto cita emergência de nível 2 e abrange as cidades de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro.
Estes municípios estão com os respectivos rios em situação de emergência, atingindo a cota de alerta ou transbordamento, ou em estado de atenção por receberem influências de outros mananciais.
Capa: Edson Fernandes/Secom