Cruzeiro do Sul, Acre 23 de maio de 2026 06:21

Dono de pescado apreendido no AC alega prejuízo de R$ 16 mil; Idaf diz que peixe estava impróprio para consumo

O dono de quase uma tonelada de pescado apreendida pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), na terça-feira (11), Francisco de Oliveira avalia um prejuízo de R$ 16 mil com o descarte dos peixes feito pelo órgão. Ele também disse que a apreensão e o descarte foram por “desinformação dos funcionários”. Os peixes descartados eram da espécie piau e curimatã.

O material foi apreendido perto da cidade de Tarauacá, no interior do Acre. O Idaf alega que carga estava acondicionada e transportada de forma indevida, desrespeitando as normas e a legislação vigentes. Já o dono da carga diz que, apesar de saber que é errado, sempre transporta a carga naquelas condições e nunca teve problema.

“Era por volta das 9h de terça-feira [11], a gente pegou esse peixe de um produtor em Mâncio Lima, quando a gente pega um peixe de açude, imediatamente, a gente dá um choque nele com gelo para o transporte que dura 48 horas para ocorrer o fator morte no peixe, que é onde as bactérias vão reconhecer que o peixe foi morto e quando chega no mercado a gente coloca mais gelo ainda para fazer o transporte para Tarauacá e, às vezes, até para Rio Branco. A gente faz isso semanalmente, sabe que não é certo, mas, devido ao custo de comprar um caminhão frigorífico ou uma caixa térmica, o que não é barato, a lona já é um isolante e a gente nunca teve problema nesse transporte”, diz.

Já sobre a falta da Guia de Trânsito Animal (GTA), o empresário diz que estava sem documento porque não conseguiu tirá-lo na sede do Idaf por ser feriado.

“Pelo feriado, o rapaz da piscicultura não conseguiu emitir o GTA no Idaf de Mâncio Lima, que é a guia de transporte. O peixe estava 100% sadio, eu digo e provo, porque temos aqui no boxe o peixe de alta qualidade. Para ele [funcionário] poder jogar o peixe fora ele deveria ter um laudo da Vigilância Sanitária comprovando que o peixe estava estragado. Foram mais de R$ 16 mil de prejuízo só de peixe”, disse.

Ele diz ainda que o descarte foi falta de informação do funcionário do Idaf. “Puro desconhecimento e ignorância da parte do funcionário”, completa.

Peixe estava impróprio para consumo

Tatiana Oliveira, chefe do Idaf em Cruzeiro do Sul, diz que não havia GTA, nota fiscal e nem as condições apropriadas para o transporte da carga e, por isso, a orientação realmente era o descarte.

No GTA, há informação de onde saiu o peixe e para onde ele seria destinado, e tem validade de sete dias. Esse é o procedimento correto para esse tipo de carga. Para tirar o documento, precisa fazer um cadastro e todas as vezes que for transportar a carga levar a guia, que é uma taxa de R$ 12,40.

“Nessa situação do peixe especificamente, o animal foi levado sem a guia de transporte e esse animais era para alimentação e estavam sendo transportados sem as características adequadas – que era estar com gelo ou uma caixa térmica”, explica.

Carga de peixe foi apreendida na BR — Foto: Divulgação/Idaf

Carga de peixe foi apreendida na BR — Foto: Divulgação/Idaf

A chefe do Idaf destacou ainda que o pescado estava sem condições de ser consumido, uma vez que a refrigeração não estava adequada.

“O animal chegou sem condições para consumir e quando a gente abordou sem essas características, a orientação é o descarte porque já estava em processo de deterioração que não serve para consumir. A vigilância atua se já estiver no mercado, para venda, nessa questão de transporte é o Idaf mesmo”, explica.

O médico veterinário que abordou a carga, segundo Tatiana, concluiu que o pescado não estava bom para alimentação e, por isso, também não foi doado.

“O peixe degrada mais rápido por conta da características da carne, caixa térmica com gelo, ou caixa d’água com gelo que pode cobrir os animais. O gelo tem que ser distribuído uniformemente, animal condicionado e gelo, a guia de transporte e nota fiscal. O gelo tem que cobrir os animais”, finaliza.

Colaborou Bruno Vinicius, da Rede Amazônica Acre.