Cruzeiro do Sul, Acre 21 de outubro de 2026 21:26

De três pioneiras em 1978 a nenhuma eleita em 2026: Acre terá única assembleia sem mulheres no país

A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) não terá nenhuma mulher entre os 24 deputados estaduais a partir de 2027. O resultado das eleições de 2026 definiu uma composição formada exclusivamente por homens para a próxima legislatura e coloca o estado como o único do país sem representação feminina no legislativo estadual. (Veja o quadro abaixo)

A situação também repete o mesmo cenário de 1994, quando também nenhuma foi escolhida nas urnas. Desde a criação da Aleac, em 1962, apenas 16 mulheres foram eleitas para o cargo. (Confira o histórico mais abaixo)

Dos 24 eleitos, 16 foram reeleitos e oito conquistaram o primeiro mandato, de acordo com o resultado eleitoral divulgado no domingo (4), após 100% das urnas apuradas. (Veja a lista completa no final da reportagem)

Segundo levantamento do g1 com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das 138 mulheres candidatas nas eleições de 2026, a maior parte delas, o equivalente a 86, disputou vagas para a Aleac.

O resultado deste pleito, inclusive, tirou da próxima composição as três mulheres que atualmente ocupam cadeiras na Casa e que haviam tentado a reeleição: Michelle Melo (União), Antônia Sales (MDB) e Maria Antônia (PP).

O cenário ocorre em um estado onde as mulheres representam a maioria do eleitorado. Nas eleições de 2026, 52% dos eleitores acreanos eram mulheres, enquanto os homens representavam 48%.

Mulheres eleitas para as Assembleias em 2026

Estado Mulheres na Assembleia Total de candidatos
Acre 0 24
Alagoas 5 27
Amapá 6 24
Amazonas 2 24
Bahia 10 63
Ceará 14 46
Distrito Federal* 5* 24*
Espírito Santo 6 30
Goiás 5 41
Maranhão 12 42
Mato Grosso 2 24
Mato Grosso do Sul 2 24
Minas Gerais 20 77
Pará 11 41
Paraíba 8 36
Paraná 9 54
Pernambuco 8 49
Piauí 4 30
Rio de Janeiro 16 70
Rio Grande do Norte 7 24
Rio Grande do Sul 16 55
Rondônia 3 24
Santa Catarina 5 40
São Paulo 28 94
Sergipe 4 24
Tocantins 3 24
Total 218 1.059

*No Distrito Federal, há Câmara Legislativa em vez de uma Assembleia porque é uma entidade federativa única. Contudo, o DF acumula as competências legislativas e administrativas de ambos. Logo, a Câmara exerce, ao mesmo tempo, as funções que caberiam a uma Assembleia Legislativa (estadual) e a uma Câmara de Vereadores (municipal).

Histórico

A ausência de mulheres na próxima legislatura ocorre 48 anos depois da chegada das primeiras deputadas estaduais ao Acre.

A Aleac foi criada em 1962 e passou os primeiros anos sem nenhuma mulher entre os parlamentares. Em 1978, 16 anos depois da criação da Assembleia, Iolanda Fleming, Railda Pereira e Mirian Pascoal chegaram à Casa e se tornaram as primeiras mulheres a ocupar cadeiras no Legislativo estadual.

Desde então, a presença feminina passou a aparecer em diferentes legislaturas, mas com oscilações no número de eleitas. Em 1982, foram três mulheres; em 1986, uma; e em 1990, duas. (Veja o gráfico abaixo)

Mulheres eleitas para a Aleac desde 1978
Resultado de 2026 repete cenário de 1994, quando nenhuma mulher foi escolhida; presença feminina se deu 16 anos após criação da casa legislativa estadual
1978198219861990199419982002200620102014201820222026012345
Fonte: Aleac

Em 1994, nenhuma mulher foi eleita para a Assembleia Legislativa do Acre. A presença feminina voltou à Casa na eleição seguinte, em 1998, com duas. Em 2002, o número se repetiu; em 2006, foram quatro; em 2010, três; em 2014, quatro; em 2018, quatro; e, em 2022, três.

A eleição de 2026 repetiu o cenário de 1994 e, com isso, marcou a segunda eleição, desde 1978, sem nenhuma mulher eleita para o Legislativo estadual.

Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) — Foto: Arquivo/Aleac
Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) — Foto: Arquivo/Aleac

16 mulheres ao todo

De 1978 a 2026, 16 mulheres passaram pela casa legislativa, desconsiderando as reeleitas. Entre elas estão nomes como Iolanda Fleming (ex-governadora do Acre) e Marina Silva (ex-senadora pelo Acre e ex-ministra do Meio Ambiente).

Com relação às recordistas de mandato, destacam-se Maria Antônia (PP) e Antônia Sales (MDB) com 5 (ambas tentavam o sexto mandato), seguidas por Naluh Gouveia (que não disputa mais cargos eletivos) e Maria das Vitórias (atual 1ª suplente de Petecão na legislatura 2019-2027) com 3.

Mulheres na Aleac desde 1978

Ano Quantidade Mulheres eleitas
1978 3 Iolanda Fleming, Mirian Pinho Pascoal e Railda Pereira da Silva
1982 3 Railda Pereira da Silva, Mirian Pinho Pascoal e Maria das Vitórias
1986 1 Maria das Vitórias
1990 2 Marina Silva e Maria das Vitórias
1994 0 –
1998 2 Naluh Gouveia e Nazaré de Oliveira
2002 2 Naluh Gouveia e Antônia Sales
2006 4 Naluh Gouveia, Antônia Sales, Maria Antônia e Perpétua de Sá
2010 3 Antônia Sales, Maria Antônia e Antônia Vieira
2014 4 Leila Galvão, Maria Antônia, Eliane Sinhasique e Juliana Rodrigues
2018 4 Meire Serafim, Antônia Sales, Maria Antônia e Juliana Rodrigues
2022 3 Antônia Sales, Maria Antônia e Michelle Melo
2026 0 –

Cota de gênero

A maior concentração de mulheres nas candidaturas proporcionais este ano também estava relacionada às regras eleitorais. Pela legislação, os partidos e federações precisam registrar no mínimo 30% e no máximo 70% de candidaturas de cada gênero nas eleições proporcionais.

A regra vale para as disputas de deputado estadual e deputado federal e é calculada sobre o total de candidaturas efetivamente registradas pelo partido ou federação, e não sobre a quantidade de vagas disponíveis.

O número de candidatas variou entre os partidos que disputaram as eleições no Acre. O Agir registrou uma mulher, somente para cargo de vice-governadora, enquanto o Podemos teve 13 candidatas, o maior número identificado no levantamento.

Veja como fica a composição da Aleac a partir de 2027 — Foto: Reprodução/g1
Veja como fica a composição da Aleac a partir de 2027 — Foto: Reprodução/g1

O PP terá a maior bancada da próxima legislatura, com cinco cadeiras. União Brasil e PL terão quatro parlamentares cada, enquanto o Republicanos terá três.

MDB e PSD elegeram dois deputados cada. PDT, Novo, PCdoB e PSDB terão uma cadeira cada.

Confira a lista de deputados estaduais eleitos no Acre:

  • Nicolau Júnior (PP) – 3,84% dos votos válidos (18.149 votos) – [REELEITO]
  • Fagner Calegário (União) – 2,88% dos votos válidos (13.640 votos) – [REELEITO]
  • Clodoaldo Rodrigues (PP) – 2,87% dos votos válidos (13,575 votos) – [REELEITO]
  • André da Droga Vale (PP) – 2,78% dos votos válidos (13.173 votos) – [REELEITO]
  • Marcus Alexandre (MDB) – 2,72% dos votos válidos (12.872 votos) – [ELEITO]
  • Manoel Moraes (PP) – 2,71% dos votos válidos (12.837 votos) – [REELEITO]
  • Tanízio Sá (MDB) – 2,54% dos votos válidos (12.023 votos) – [REELEITO]
  • Chiquinho do Duda (PL) – 2,43% dos votos válidos (11.514 votos) – [ELEITO]
  • Adailton Cruz (União) – 2,43% dos votos válidos (11.476 votos) – [REELEITO]
  • Samir Bestene (PP) – 2,40% dos votos válidos (11.335 votos) – [ELEITO]
  • Eduardo Ribeiro (Republicanos) – 2,38% dos votos válidos (11.282 votos) – [REELEITO]
  • Arlenilson Cunha (PL) – 2,14% dos votos válidos (10.144 votos) – [REELEITO]
  • Tchê (PDT) – 2,11% dos votos válidos (10.003 votos) – [REELEITO]
  • Tio Pablo Bregense (União) – 2,11% dos votos válidos (9.981 votos) – [REELEITO]
  • Gene Diniz (Republicanos) – 2,08% dos votos válidos (9.835 votos) – [REELEITO]
  • Afonso Fernandes (União) – 2,03% dos votos válidos (9.593 votos) – [REELEITO]
  • Emerson Jarude (Novo) – 1,99% dos votos válidos (9.434 votos) – [REELEITO]
  • Edvaldo Magalhães (PCdoB) – 1,96% dos votos válidos (9.273 votos) – [REELEITO]
  • Tadeu Hassem (Republicanos) – 1,82% dos votos válidos (8.598 votos) – [REELEITO]
  • Raimundo Neném (PL) – 1,71% dos votos válidos (8.069 votos) – [ELEITO]
  • Gláucio Pedrosa (PL) – 1,70% dos votos válidos (8.029 votos) – [ELEITO]
  • Jailson Amorim (PSD) – 1,09% dos votos válidos (5.158 votos) – [ELEITO]
  • Antônio Pedro (PSD) – 1,08% dos votos válidos (5.118 votos) – [ELEITO]
  • Leôncio Castro (PSDB) – 1,04% dos votos válidos (4.933 votos) – [ELEITO]