Cruzeiro do Sul, Acre 7 de março de 2026 10:50

Crise entre Brasil e Israel vai ganhar novo capítulo nos próximos dias

A menos que o governo federal mude de ideia, o Brasil deverá ficar sem embaixador de Israel esta semana, evidenciando ainda mais a crise diplomática entre os dois países por conta da guerra na Faixa de Gaza.

Tensão entre Brasil e Israel

  • Desde que Lula assumiu a presidência, a relação entre Brasil e Israel tem vivido momentos de tensão.
  • De um lado, Israel acusa o governo brasileiro de ter posturas pró-Hamas. Do outro, Lula tem feito críticas quanto à atuação israelense na Faixa de Gaza, onde mais de 50 mil pessoas já morreram.
  • O ápice da crise aconteceu em fevereiro de 2024, quando Lula comparou as ações de Israel na Faixa de Gaza com o Holocausto de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
  • Depois da repercussão negativa da fala, o presidente brasileiro foi declarado persona non grata em Israel. Em retaliação, Lula retirou o embaixador do Brasil em Tel Aviv, dando assim menos peso na relação diplomática dos dois países.
  • Neste ano, o Brasil ingressou formalmente em uma ação judicial que acusa Israel de genocídio na Corte Internacional de Justiça (CIJ).

Daniel Zonshine chefia a missão diplomática de Israel no Brasil desde 2021, mas vai deixar o país na terça-feira (12/8), para se aposentar.

Com a saída do atual embaixador israelense no Brasil, a representação diplomática ficará momentaneamente sem um chefe do primeiro escalão, o que pode ser traduzido como o distanciamento de um país em relação a outro no mundo diplomático.

A decisão de deixar o cargo vazio não parte da administração israelense, mas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em janeiro deste ano, o ex-embaixador de Israel na Colômbia, Gali Dagan, foi indicado para assumir o posto no Brasil. Mas, até o momento, seu agrément — permissão para um diplomata assumir uma embaixada — ainda não foi aprovado pelo governo brasileiro.

Antes de deixar o cargo, Zonshine lamentou os atritos entre Israel e Brasil em um café da manhã com deputados do partido Republicanos. Apesar disso, ele prometeu que a embaixada continuará funcionando mesmo que a nomeação de Dagan não seja aprovada.

Ao Metrópoles, fontes ligadas à diplomacia israelense afirmam que ainda não está claro quem deverá ficar à frente da embaixada.