Cruzeiro do Sul, Acre 10 de março de 2026 18:06

Com o túmulo já pronto, idoso de 82 anos reflete sobre a vida e a morte: “É nascer, viver, sofrer e morrer … a vida é assim”

Neste domingo, 2 de novembro, Dia de Finados, milhares de pessoas visitaram os cemitérios Jardim da Paz, no bairro Coca da Alemanha, e São João Batista, no Centro de Cruzeiro do Sul, para homenagear familiares e amigos que já partiram. Desde as primeiras horas da manhã, o movimento foi intenso. Flores, velas e orações marcaram o clima de respeito e saudade que tomou conta dos espaços.

Entre os visitantes, a presença de Francisco Negreiros de Souza, de 82 anos, chamou a atenção. Viúvo há 13 anos, ele chegou cedo ao Cemitério Jardim da Paz para prestar homenagem à esposa e a outros conhecidos. Com serenidade, Seu Francisco falou sobre o costume de visitar o local todos os anos.

“Vim visitar não só dela não, outros conhecidos que tem aqui, a gente visita. E pensando que a gente também vem, né? Falta só chegar o dia”, disse o idoso, demonstrando naturalidade diante da finitude da vida.

O idoso contou que já tem o próprio túmulo pronto. “O meu túmulo tá pronto lá. Tá tudo prontinho. Quando qualquer coisa… Já tô no meu canto. Tá feita a gaveta. É fechado. Na hora que eu chegar, quebra o tijolo lá e já vai”, contou, com simplicidade.

Seu Francisco também afirmou que costuma visitar o cemitério durante o ano para cuidar do jazigo. “Pelo meio do ano, eu venho olhar aí, como é que tá. Porque se nao cuidar  assim, o pessoal arranca. Aí eu mando o cara ajeitar. Já mandei ajeitar uma vez.”

Aos 82 anos, ele encara a morte com sabedoria e aceitação. “A idade acaba desmistificando a questão da morte, fazendo com que a gente aceite com mais facilidade. É assim a vida: é nascer, viver, sofrer e morrer. Não falha nada”, refletiu.

Mesmo com o tempo, a saudade da esposa ainda o acompanha. “Pode passar os anos que forem, do falecimento, mas a saudade é a mesma. Não esquece. Fica eternamente. Não tem como ser diminuída ou  acabada”, desabafou, citando a Bíblia: “Não é bom que o homem viva só. Mas a gente vive porque é o jeito”.

Juruá24horas