Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa, transmissível de pessoa para pessoa. E, apesar de estar controlada no Acre, registrou um aumento de 24%, entre o ano de 2020 e 2021, conforme dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde do Acre (Sesacre).
Considerada crônica devido ao seu tempo de tratamento, de 6 meses até 1 ano, podendo se estender até dois anos, ela se perpetua ainda no estado. E subiu de 86 casos novos em 2020 para 107 em 2021.
Atualmente, o governo do Estado, através da Sesacre em conjunto com o Ministério da Saúde, está trabalhando em um processo de descentralização das ações de hanseníase, para fazer com que todos os municípios atendam seus pacientes, segundo informou a responsável pela área técnica de hanseníase da Vigilância Epidemiológica da Sesacre, Recleides Darub.
A doença tem tratamento, com medicação gratuita ofertada pelo SUS. De acordo com Recleides, na década de 80, o estado do Acre tinha 110 casos de hanseníase para cada 100 mil habitantes, hoje, são dois casos para cada 100 mil habitantes. Mesmo com o aumento registrado nos últimos dois anos, a melhora ao longo das últimas décadas é significativa, apesar de ainda ocorrer.
“O único problema com a hanseníase é que quando o paciente não procura o serviço de saúde no início da doença, ele pode ficar com sequelas porque não foi tratado adequadamente no começo.”
“Então, é uma doença incapacitante quando não tratada a tempo. Agora, se for tratado cedo, esse paciente não terá sequela nenhuma e vai poder trabalhar, levar uma vida social absolutamente normal. O que a gente vê hoje ainda de pacientes sequelados, são pessoas que no passado não trataram no começo”, explica.
A hanseníase é uma doença de transmissão lenta, de convívio íntimo, e é identificada inicialmente com uma mancha na pele. É fácil de a pessoa identificar. A transmissão ocorre por vias respiratórias, gotículas salivares, secreções nasais e a longa convivência.
“A pessoa precisa conviver com o paciente por um longo período de tempo para pegar a doença. E algumas pessoas, mesmo convivendo com o paciente doente, nunca vai pegar. Normalmente, a literatura diz que a cada dez pessoas que convivem com a pessoa doente, uma vai ter a doença”, pontua.

A hanseníase é uma das doenças que podem debilitar as pessoas afetadas para o resto da vida — Foto: Getty Images via BBC
2 detalhes que você precisa conhecer sobre a doença:
- Um paciente que começa a tomar a medicação, depois de um período de 72 horas, ele já não transmite mais a doença, embora ainda não esteja curado, não oferece mais o risco de transmitir;
- Outro ponto é que o paciente sequelado, por exemplo, perdeu um dedo, ele também não transmite mais a doença, porque já não está mais doente, ele apenas tem a sequela da hanseníase. Ou seja, já passou pelo processo de tratamento e foi curado, apenas apresenta a sequela.
Capacitação
Nesta semana, Recleides está em Cruzeiro do Sul, onde é feita a capacitação dos profissionais de rede municipal de quatro municípios para que ocorra a descentralização.
“Estamos dando capacitação aos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, agentes de saúde para que o município comece a atender seus pacientes. O estado vai continuar dando suporte para os casos mais graves, mas os pacientes, em início de doença, vão ser atendidos no município onde eles residem. Essa é uma ação que ocorre em Cruzeiro do Sul, mas vai ser feita em outros municípios, aqui nessa já inclui os profissionais de Feijó, Tarauacá e Marechal Thaumaturgo”, informa.

Raimundo Lima foi disse que antes de ser diagnosticado com a doença nunca tinha ouvido falar de hanseníase — Foto: Tácita Muniz/G1
Sintomas
O principal sintoma da hanseníase é a mancha mais clara que surge na pele, seguida de dormência, é quando o paciente deve procurar o serviço de saúde.
Pode levar um longo tempo para os sintomas se tornarem evidentes. Veja alguns sintomas:
- Manchas em qualquer parte do corpo, com perda ou alteração de sensibilidade ao calor, dor ou tato (se queima ou machuca sem perceber);
- Formigamentos, choques, agulhadas, câimbras ou dormência nos braços e pernas;
- Diminuição da força muscular, dificuldade para pegar objetos, segurar chinelos nos pés;
- Nervos engrossados e doloridos, feridas difíceis de curar, principalmente em pés e mãos;
- Áreas da pele muito ressecadas, que não suam, com queda de pelos, (especialmente nas sobrancelhas), caroços pelo corpo;
- Coceira ou irritação nos olhos;
- Entupimento, sangramento ou ferida no nariz.
Hanseníase em números no Acre
Na população em geral, foram registrados 86 casos novos da doença em 2020. Já em 2021, houve salto para 107 novos registros da hanseníase.
Ainda conforme o levantamento, as cidades com maior registro de casos no ano passado foram a capital acreana, Rio Branco, com 41 no total, seguido de Cruzeiro do Sul e Tarauacá (10) casos novos cada uma e sete em Epitaciolândia e Xapuri.