Cruzeiro do Sul, Acre 9 de março de 2026 03:16

Chuvas intensas provocam deslizamentos, remoções e colocam famílias em alerta em Cruzeiro do Sul

A forte chuva registrada em Cruzeiro do Sul no último domingo (28) provocou alagamentos, remoção de famílias e situações de risco em áreas vulneráveis do município. De acordo com a Defesa Civil, o volume de água foi muito superior ao esperado, pegando moradores e autoridades de surpresa.

Segundo o coordenador da Defesa Civil municipal, José Lima, a previsão inicial era de um acumulado entre 10 e 30 milímetros, mas o volume registrado chegou a 92 milímetros em poucas horas.

  • “A gente tinha uma previsão de cair entre 10 a 30 milímetros, mas choveu 92 milímetros. Foi uma quantidade muito acima do esperado, o que acabou causando diversos transtornos”, explicou Lima.

Apesar do alto volume de chuva, o nível do rio Juruá ainda não apresentou elevação imediata. No entanto, a Defesa Civil alerta que a situação pode mudar nos próximos dias.

  • “Essa chuva não faz o rio subir rapidamente. Mas como choveu em toda a região, nos rios Moa, Mirim e Valparaíso, essa água deve começar a chegar ao leito do rio Juruá a partir de hoje à tarde ou amanhã”, afirmou o coordenador.

Áreas baixas foram as mais atingidas

Os principais impactos foram registrados em igarapés, córregos e áreas mais baixas da cidade, onde o sistema de drenagem não suportou a grande quantidade de água.

  • “As partes baixas da cidade foram atingidas. Tivemos transtornos, com famílias que precisaram ser removidas para locais seguros”, disse José Lima.

Na região próxima à AC-430, sete famílias tiveram as casas invadidas pela água. Destas, quatro precisaram ser retiradas e foram levadas para a Escola Padre Arnold, onde estão recebendo apoio do município.

Risco de novos problemas preocupa Defesa Civil

A previsão é de chuvas frequentes até pelo menos o dia 5, o que mantém o alerta ativo em todo o município.

  • “As previsões têm variado muito. Pode chover acima do esperado ou não, mas se continuar nesse ritmo, com certeza mais famílias podem ser atingidas, porque as áreas baixas já estão completamente encharcadas”, alertou o coordenador.

Além dos alagamentos, a Defesa Civil também monitora deslizamentos de terra e quebra de barrancos, como o ocorrido no bairro Miritizal.

Morador vive drama com risco de deslizamento

Uma das situações mais delicadas é vivida pelo trabalhador Adriano Silva Oliveira, que mora há cerca de três anos em uma área de barranco. Após a chuva, o terreno começou a ceder, colocando toda a família em perigo.

  • “Depois da chuva começou a quebrar o barranco. Chamei o bombeiro, fizeram a vistoria, mas depois que eles saíram, continuou quebrando ainda mais”, relatou.

Adriano conta que passou a noite em alerta, com medo de que a casa desabasse.

  • “Não tem como ficar em casa com os filhos desse jeito. A gente não dorme. Se dormir, corre o risco de acordar com a casa dentro do barranco”, disse.

Na residência vivem dois adultos e quatro crianças. Durante a noite, os filhos precisaram dormir na casa de vizinhos e familiares.

  • “Agora não tem mais quintal, é só barranco. A árvore que segurava caiu, e levou um pedaço do terreno. Antes não era assim, isso começou a piorar desde o ano passado”, contou.

A família foi orientada a buscar o aluguel social, mas ainda não conseguiu uma casa disponível.

  • “Eu queria uma ajuda da prefeitura e da Defesa Civil. Terreno eu não tenho, não tenho condição de comprar. Do jeito que está, não tem mais como ficar aqui”, desabafou Adriano.

A Defesa Civil segue monitorando as áreas de risco e orienta que moradores acionem os órgãos competentes ao perceberem rachaduras, deslizamentos ou sinais de instabilidade no solo.