Indígenas da etnia Huni Kuin que vivem na Aldeia Paroá Central, zona rural de Feijó, interior do Acre, perderam mais de 10 mil pés de banana com a cheia do Rio Envira. Equipes da Defesa Civil Municipal estiveram na comunidade na tarde dessa segunda-feira (29) para contabilizar os estragos da enchente.
A água invadiu a parte da frente da aldeia e as plantações. Imagens do órgão municipal enviadas ao g1 nesta terça (30) mostram o campo de futebol e algumas plantações tomados pelas águas.
O Rio Envira começou a encher na noite de domingo (28) e águas logo chegaram ao bairro Terminal. Duas famílias, totalizando oito pessoas, foram retiradas de casa e levadas para um abrigo montado em uma escola municipal. Os moradores seguem no abrigo até esta terça, mas o manancial já apresenta sinal de vazante e chegou a 12,10 metros, três centímetros acima da cota de transbordo.
O coordenador da Defesa Civil Municipal de Feijó, sargento Adriano Souza, explicou que mais de 90 famílias indígenas foram atingidas pela enchente na Aldeia Paroá Central. Na tarde dessa segunda, o sargento contou que as equipes desceram até a região Baixo Rio, onde ficam cerca de oito comunidades indígenas.
“O roçado deles está debaixo d’água. Falaram que plantaram dez mil pés de banana e perderam tudo. A gente foi lá fazer um levantamento das necessidades, da quantidade de famílias que moram nas redondezas. Verificamos as aldeias mais atingidas, onde já tinha informação de que a Aldeia Paroá Central era a mais atingida por ser mais baixa. Constatamos essas informações, o campo de jogo deles está bem afetado, necessitam de água potável de recuperarem a plantação”, destacou.
Ainda segundo o coordenador, as águas estavam em uma distância de 10 metros para chegar às residências dos indígenas. “A água chegou na parte da frente, onde fica o campo. Acho que invadiu umas duas hectares alagadas. As demais aldeias ficam muito às margens da borda do rio, então, constatamos que essa é a mais afetada”, contou.

Segunda enchente no ano
O sargento explicou também que essa é a segunda vez no ano que os indígenas perdem o roçado. Em abril, quando o município decretou situação de emergência, as águas do Rio Envira destruíram a plantação de banana, principal cultivo da comunidade.
“Em abril foram muitos afetados e agora em dezembro. Segundo relatos do Corpo de Bombeiros, há mais de 20 anos não tinha essas ocorrências de enchente. É algo raro de acontecer, esse mês de dezembro foi muito chuvoso. Quase todo dia chove aqui em Feijó, tanto na área urbana como rural”, complementou.

Adriano Souza revelou que a média de chuva no município para o mês é de até 280 milímetros. Até essa segunda, o acumulado de chuvas é de 429 milímetros. Apenas no domingo, quando a cheia começou, choveu mais de 51 milímetros.
O sargento acrescentou que será feito um levantamento completo dos estragos registrados na zona rural para que a assistência seja levada até os indígenas no início de janeiro. “A zona urbana a gente consegue assistir, mas as pessoas que ficam isoladas, mesmo quando o rio não enche tanto, são da zona rural. Então, esse ano buscamos ter um olha diferencial para eles para levar assistência”, finalizou.
Vazante
O Rio Envira apresentou vazante em Feijó nesta terça-feira (30), contudo, segue acima da cota de transbordo, que é 12 metros.
O manancial transbordou nessa segunda (29), quando chegou a 12,08 metros. Cerca de 30 residências foram afetadas nos bairros Aristides, Bairro do Hospital e Terminal.
Rio Envira apresenta vazante em Feijó nesta terça-feira (30)
Duas famílias – com oito pessoas – estão desabrigadas e foram encaminhadas ao abrigo municipal, instalado na Escola Peti, no bairro Cidade Nova. Elas saíram de casa no domingo (28), quando o manancial começou a subir. Não há registro de famílias desalojadas.
A Defesa Civil da cidade confirmou ao g1 nesta terça que não houve mais retirada de famílias para o abrigo montado. “Recebem toda assistência necessária, como alimentos, medicação e permanecem porque o rio segue acima da marca de transbordo. As equipes permanecem monitorando o nível do rio e acompanhando as famílias das áreas de risco”, explicou o coordenado.
Decreto de emergência
Feijó é uma das cidades listadas no decreto de emergência do governo estadual. Em meio a cheia de rios e igarapés em várias regionais do estado, o governo decretou situação de emergência em cinco municípios nessa segunda-feira (29).
A medida cita emergência de nível 2 e abrange Feijó, Plácido de Castro, Rio Branco, Santa Rosa do Purus e Tarauacá, municípios com os rios em transbordamento.
O documento, assim como na versão municipal, pontua a quantidade de chuvas acumuladas, principalmente desde o dia 24 de dezembro. Em Rio Branco choveu, até este domingo (28), um total de 483 milímetros, sendo que a média esperada para o mês era em torno de 265 milímetros.
A quantidade reflete em um acumulado total de 97% de chuvas acima do esperado para todo o mês.
Outro ponto citado pela medida, assinada pela governadora em exercício Mailza Assis (PP), é de que as chuvas em Brasiléia já acumularam um total de 436,80 mm em dezembro, sendo que a média esperada para o período é de 222mm. Com isso, o volume no município está 82% acima da estimativa.