Na época que o g1 entrevistou o delegado Alcino Sousa Jr., responsável pelas investigações, ele comentou que há a possibilidade de que a menina tenha sido doada ilegalmente pelos próprios pais.
Seis meses após o assassinato de Yara Paulino da Silva, de 28 anos, no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco, ainda não há atualizações sobre o caso e nem a respeito do paradeiro da bebê Cristina Maria, que desapareceu com três meses de vida.
O g1 relembra também, nesta quarta-feira (24), que Yara foi a mãe do 1º bebê nascido em 2015 na capital. Além do menino, que tem 10 anos, ela deixou outra criança de 2. Ambas presenciaram o crime e ficaram muito abaladas emocionalmente.
O caso repercutiu em todo o estado diante da brutalidade do crime. Yara foi espancada até à morte em via pública após a circulação de um boato de que ela teria matado a filha mais nova.
1º bebê de 2015 em Rio Branco

Na época que o g1entrevistou Yara, então com 16 anos, a mãe compartilhou que o nascimento do primogênito estava planejado para ocorrer entre os dias 7 e 14 de janeiro.
No entanto, a criança resolveu mudar os planos da mãe, que se arrumava para prestigiar a tradicional queima de fogos da Avenida Amadeo Barbosa.
Sem muitas palavras, a adolescente disse à reportagem que não tinha muita certeza de como seria a vida após o nascimento do primeiro filho, mas foi direta ao dizer o que deseja para o futuro da criança:
“Eu só desejo que ele seja muito feliz”, complementou.
Bebê desaparecida foi registrada após morte de Yara
Ao g1 na época, o delegado Alcino Sousa Jr. falou que Cristina Maria foi registrada oficialmente no dia 30 de abril, quatro dias após o assassinato da Yara.
“A gente acredita muito na possibilidade de ter uma subtração de incapaz, ou uma doação dos próprios pais a terceiros e que a mãe, a Yara, poderia ter se arrependido e isso poderia ter sido o estopim, também com uma represália, após ela ter feito essa doação, mas com ciência do pai”, frisou.
A autoridade policial disse ainda que, mesmo com a rastreabilidade por meio de órgãos de saúde, há uma grande dificuldade por se tratar, na época, de uma recém-nascida cuja fisionomia muda com o passar dos meses.
“Nós não temos hoje uma imagem do que seria a criança. A gente tem uma única foto dela, e é recém-nascida ainda porque ela teve problemas durante o parto, nasceu precoce até. Então as imagens que temos é dela muito pequenininha, não sabemos como ela estaria seis meses depois. É até difícil distribuir uma foto possível dessa criança”, comentou.

Caso Yara Paulino
Segundo as investigações, Yara foi retirada de dentro de casa e assassinada no meio da rua como ‘disciplina’ por membros de uma facção criminosa local. O boato era de que ela havia matado a filha e que os restos mortais estavam dentro de um saco de ração.
Porém, o Instituto Médico Legal (IML) da capital acreana constatou que a ossada achada em uma área de mata era, na verdade, de um animal.
A criança, identificada como Cristina Maria, segue desaparecida e foi incluída na plataforma Amber Alert, sistema que compartilha informações sobre crianças desaparecidas por meio de alertas em redes sociais e outras páginas.

Cerca de 15 dias antes de ser assassinada, Yara chegou a avisar para alguns vizinhos que a filha caçula tinha sumido e acusou o ex-marido e pai da menina, Ismael Bezerra Freire, de a ter levado sem sua permissão.
A foto da bebê, inclusive, foi colocada em um grupo de mensagens do conjunto habitacional com pedidos de informações. Contudo, nem o pai e nem a mãe reportaram à polícia o desaparecimento. A menina ainda não tinha sido registrada por conta de problemas na documentação da mãe.
A família paterna de Cristina Maria, inclusive, espalhou cartazes com a foto e informações da menina na esperança de descobrir algum vestígio do paradeiro dela.
Quem tiver qualquer informação relevante sobre o paradeiro de Cristina Maria, entre em contato no WhatsApp (68) 99912-2964 ou 181, garantindo o sigilo absoluto.

Os suspeitos passaram por audiência de custódia no dia 30 de abril e, com parecer favorável do Ministério Público Estadual (MP-AC), tiveram a prisão mantida. O g1 não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos.
À época, o delegado Leonardo Neves, responsável pelas investigações, confirmou que as prisões têm relação com o homicídio. Sobre o desaparecimento da criança, o delegado disse que outras testemunhas iam ser ouvidas para a polícia localizar a criança.
Os suspeitos presos tiveram a prisão temporária mantida pela 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar da Comarca de Rio Branco, no dia 2 de maio.