O lançamento da Cartilha “Criança com Autismo tem Direito à Alimentação Adaptada” nas unidades escolares, ocorreu na manhã desta quinta-feira, 7, no auditório da UAB em Cruzeiro do Sul.
A iniciativa partiu da professora Edilamar Marques, chefe do Departamento de Segurança Alimentar da Prefeitura de Cruzeiro do Sul e contou com o apoio da Secretária de Educação Rosa Lebre.
“A Cartilha representa um avanço significativo na promoção de uma alimentação inclusiva, respeitosa e adaptada às necessidades específicas das crianças autistas. Ela orienta profissionais da educação, da saúde e das políticas sociais, além de famílias, sobre como garantir o direito humano à alimentação adequada a este público, respeitando suas particularidades sensoriais, comportamentais e nutricionais”, destacou Rosa Lebre. O prefeito Zequinha Lima e o Ministério Público Estadual também apoiam esse projeto
A idealizadora da Cartilha, professora Edilamar Marques, conhece de perto a necessidade de crianças com Autismo, pois tem um filho com essa condição.

“A partir de agora, com o lançamento da Cartilha, a criança com TEA (Transtorno do Espectro Autista) vai ter esses direitos dentro da educação. Nós trouxemos o setor de saúde pra perto, para que as famílias possam saber quais os direitos que essas crianças tem. Trouxemos a Assistência Social para que possa nos ajudar como cadastro do Sistema Único e principalmente também com uma alimentação de qualidade. Já dentro da Educação, a gente quer fazer a formação dos profissionais que lidam com essas crianças, desde o Gestor até a Manipuladora de alimentos (merendeira)”, destacou Edilamar.
A importância da Educação Nutricional no TEA
A alimentação no contexto do TEA ultrapassa o aspecto nutricional. Ela
se entrelaça com o comportamento, a comunicação, o sensorial e o
vínculo social. Por isso, a Educação Alimentar e Nutricional (EAN)
precisa ser adaptada, lúdica e respeitosa, considerando:
•Seletividade alimentar extrema;
Medo de experimentar novos alimentos;
•Rejeição por cor, cheiro, temperatura, textura ou forma;
•Hipersensibilidade a ruídos ou estímulos no ambiente da alimentação;
Associação negativa com o momento da refeição (histórico de forçamentos ou punições).
O papel da escola é, portanto, criar um ambiente seguro e
emocionalmente acolhedor, onde o alimento esteja presente como
oportunidade de descoberta, e não como imposição.
A meta é, segundo a chefe de Segurança Alimentar, fazer com que a criança tenha uma alimentação que a incentive a comer e não passar fome na escola.
“Casa criança ela é única. A nossa intenção é que ela não fique com fome dentro dessa escola, porque uma criança com fome não aprende, não se desenvolve. Que ela possa estar dentro da Educação com o direito que elas tem garantido também pela Saúde, pela Educação e pela Assistência Social”, afirmou.

A Manipuladora de Alimentos, Marcia Pereira de Menezes, trabalha em uma unidade escolar na Vila Santa Rosa. Ela também tem familiar com Autismo e acompanha de perto as necessidades e maneiras de estimular a criança a se alimentar.
“A gente que trabalha com crianças especiais, tem muita dificuldade em fornecer os alimentos que eles aceitam, porque eles não aceitam todo alimento que a gente faz para os demais alunos. As crianças que são especiais, elas tem aquela seletividade de não aceitar aquela alimentação. Eu tenho uma sobrinha que a gente precisa fazer a alimentação dela por exemplo, com o macarrão só no sal. Ela não aceita se tiver algum tempero. Então tem alunos que não aceitam qualquer alimentação. E se a gente adaptar a alimentação pra eles( ou seja, no tipo de comida que mais gostam), pra eles aceitarem é muito melhor. Pois é frustrante voce fazer uma comida e a criança não se alimentar”, comentou.
A Cartilha “Criança com Autismo tem Direito à Alimentação Adaptada” pode ser acessada no seguinte endereço:https://drive.google.com/file/d/196ijWMYzK7tzrI0bff5uzBqnqHTrZZwm/view


