Cruzeiro do Sul, Acre 7 de outubro de 2026 16:36

Cacau produzido no Acre ganha selo internacional de sabor em festival nos EUA

Uma comunidade do interior do Acre conquistou um reconhecimento internacional pela qualidade e pelo valor cultural do cacau produzido na região. Juruá-Novo Horizonte foi incluída pelo Heirloom Cacao Preservation Fund (HCP) na lista de produtores de “Cacau de Herança”, iniciativa que identifica e preserva variedades consideradas de sabor excepcional e importância histórica.

A produção da comunidade é fornecida à Luisa Abram Chocolates, empresa sediada em São Paulo que trabalha com cacaus de diferentes regiões do Brasil. No Acre, o cultivo é conduzido pela família Andriola, com participação dos irmãos Osmir e Aires.

O reconhecimento foi anunciado durante o Northwest Chocolate Festival, realizado em Seattle, nos Estados Unidos. A escolha passou pela avaliação de nove especialistas de países como Estados Unidos, França, Inglaterra, Suíça e Trinidad e Tobago.

A conquista é considerada inédita em dois aspectos. Segundo os envolvidos, esta é a primeira vez que uma seleção do HCP está relacionada a uma fábrica brasileira e também a primeira ocasião em que o reconhecimento é destinado a uma comunidade, e não especificamente a uma propriedade rural.

Para a chocolatier Luisa Abram, o título ajuda a destacar a origem e as características próprias do cacau amazônico. Ela compara a distinção aos selos utilizados para identificar produtos vinculados a determinadas regiões, como ocorre com denominações de origem no setor de vinhos.

A certificação, porém, foi resultado de um processo que levou cerca de cinco anos. A candidatura envolveu documentos em inglês e espanhol, o que aumentou os custos, além da contratação do especialista Daniel O’Doherty, do Havaí, para auxiliar na preparação do material.

Outro desafio foi fazer o cacau chegar à fábrica paulista. A empresa realiza o pagamento antecipado aos produtores e acompanha uma cadeia logística que envolve trechos por rios e estradas. Dependendo das condições de transporte, o deslocamento da produção até São Paulo pode levar aproximadamente um mês.

A Luisa Abram Chocolates também atribui parte do resultado à parceria com integrantes da ONG SOS Amazônia. A empresa participa ainda do Brasil Sweet and Snacks, programa desenvolvido desde 1998 pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) em parceria com a Apex-Brasil para ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado internacional.