O jornalista e apresentador Ayres Rocha morreu aos 62 anos, em Rio Branco, nesta quarta-feira (14). Um dos rostos mais conhecidos da televisão acreana, ele foi âncora do Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2), da Rede Amazônica, por 30 anos, e conquistou o carinho do público com seu jeito sereno de apresentar as notícias.
O velório ocorre nesta quarta (14), a partir das 10h, na capela da Funerária São João Batista, localizada na Avenida Antônio da Rocha Viana, na capital.
Ayres fazia tratamento contra um câncer, em João Pessoa, na Paraíba, e havia retornado à capital acreana há cerca de um mês.
Segundo a irmã dele, Elaina Rocha, ao g1 e à Rede Amazônica, a decisão de voltar para casa teve relação com o desejo de ficar perto dos familiares e da cidade onde construiu sua história.
“Ele veio para cá porque ama a cidade dele, porque ele queria ficar perto da gente”, contou.
Em relato emocionado, Elaina disse que o irmão aproveitou intensamente os últimos dias ao lado da família. Segundo ela, Ayres permaneceu cercado por parentes no hospital até a noite anterior à morte, quando ainda conseguiu brincar e fazer piadas por meio de gestos.
“Ele estava tão sereno ontem, tão bonito, tão feliz. […] Ele estava feliz porque estava vendo todo mundo lá, a família dele do lado dele”, lembrou.
A irmã também destacou o carinho que o jornalista recebia dos familiares, dos amigos e dos colegas de profissão, especialmente da Rede Amazônica, onde construiu grande parte da carreira.

Trajetória que entrou na casa dos acreanos
José Ayres de Souza Rocha nasceu e cresceu em Rio Branco. Ele passou a infância em uma casa na Rua Silvestre Coelho, no bairro Bosque. Era o caçula de uma família formada por nove filhos biológicos e duas filhas adotivas de Álvaro Vieira da Rocha, paraense, e Raimunda de Souza Rocha, natural de Xapuri, no interior do Acre.
A trajetória no jornalismo começou quase por acaso, em 1989. Na época, Ayres trabalhava como bancário durante a manhã e procurava uma segunda ocupação para preencher as tardes. Foi assim que surgiu a oportunidade na então TV Acre.
No início, passou meses observando o trabalho dos profissionais da redação até receber um convite inesperado: substituir o apresentador de um programa esportivo que havia faltado.
Mesmo com receio de encarar as câmeras, aceitou o desafio. A experiência deu certo e abriu caminho para uma carreira que acompanharia as transformações do telejornalismo no estado.

Ayres apresentou diferentes telejornais da emissora, passando pelas edições da manhã e da tarde, até assumir a bancada do Jornal do Acre 2ª Edição, o JAC2, que estreou em 1995 e se tornou uma referência na programação local.
Ao longo dos anos, desenvolveu um estilo próprio, marcado pela voz inconfundível, pela seriedade e pela serenidade diante das câmeras. Conhecido como “professor” por colegas de redação, também construiu amizades e buscou formação acadêmica na área, após ingressar no curso de Comunicação Social.
Por mais de três décadas, sua presença na televisão fez parte da rotina de famílias acreanas. De segunda-feira a sábado, o apresentador levava as notícias do estado aos telespectadores e se tornou uma figura familiar para diferentes gerações.

Representou o Acre no Jornal Nacional
Um dos momentos marcantes da carreira de Ayres ocorreu em 2019, quando ele representou o Acre em uma edição comemorativa dos 50 anos do Jornal Nacional, da TV Globo.
Na ocasião, dividiu a bancada do principal telejornal do país com a jornalista Jéssica Senra, apresentadora do Bahia Meio-Dia. A participação deu visibilidade nacional ao trabalho desenvolvido por Ayres e foi motivo de orgulho para o público acreano.
Ao longo da carreira, o jornalista acompanhou acontecimentos que marcaram a história recente do estado e ajudou a contar essas histórias por meio do telejornalismo.
Governo do Acre lamenta morte
A governadora do Acre, Mailza Assis, divulgou uma nota de pesar pela morte do apresentador. Na manifestação, ela destacou a importância de Ayres para a comunicação local e o vínculo construído com o público.
“Sua trajetória é parte da história da comunicação acreana. Com profissionalismo, dedicação e respeito ao público, conquistou a admiração de gerações e se tornou uma das figuras mais conhecidas e queridas da nossa televisão”, diz trecho da nota.
A governadora também prestou solidariedade à esposa do jornalista, Waldenira, aos filhos Marcelo, Álvaro Neto e Luiza, aos netos Maria Eliza, Miguel, Isaque, Heloise e Apolo, além dos demais familiares, amigos e colegas de profissão.
Não há palavras que possam, neste momento, descrever o profundo pesar de todo o povo acreano pelo falecimento do jornalista Ayres Rocha, ocorrido nesta quarta-feira, 14, em Rio Branco.
Apresentador do Jornal do Acre por várias décadas, Ayres fez parte do cotidiano da população do nosso estado, por seu caráter e senso de responsabilidade com a informação.
Já nas redes sociais, descobrimos seu bom humor, alegria e disposição para brincar e fazer sorrir, que todos todos nós amávamos.
Ayres deixa um vazio no jornalismo e no coração de todos os acreanos que o tinham não como um apresentador, um jornalista, mas um amigo.
Que Deus, em sua infinita misericórdia, possa consolar sua esposa, filhos e netos, irmãos e sobrinhos neste momento de profunda dor.
Governadora do Estado do Acre