Cruzeiro do Sul, Acre 22 de maio de 2026 09:50

Aposentado relembra estigmas e preconceitos no tratamento contra Hanseníase no Juruá

O aposentado Nilo Ferreira, é morador de Cruzeiro do Sul e relata estigmas e preconceitos vivenciados durante o período de tratamento da Hanseníase. Ele conta que foi diagnosticado aos 12 anos de idade e precisou ser afastado da família por 8 anos.

A Hanseníase é uma bactéria que caracteriza-se por alteração, diminuição ou perda da sensibilidade térmica. Por ser crônica e transmissível, a doença ainda é vista por muitas pessoas como lepra, termo usado na década de 20, quando os doentes eram excluídos do convívio social e enviados para o leprosário.

Nilo Ferreira, lembra o dia que seu pai o deixou no local para realizar o tratamento. “Quando fui diagnosticado, meu pai foi me deixar no Leprosário, já que ninguém podia me transportar. Eu tinha 20 anos de idade quando fui internado. Chorei muito, mas o Dr. Angelim me deu conselho para eu não chorar, pois é uma doença que tem cura“, relembra o aposentado.

Além das sequelas que ficaram nas mãos de seu Nilo, o preconceito é algo que marca as lembrança que ele carrega, mesmo já tendo se passado mais de 40 anos que ele saiu da colônia, nome dado ao antigo leprosário. “Na minha época, não podia receber nenhum tipo de visita, ficávamos isolados mesmo, nem mesmo chegar perto de pessoa de alta sociedade, pois havia o receio da transmissão. Eu era discriminado por muita gente. As pessoas tinham preconceito“, lamenta.

No Acre, em 2022, teve mais de 100 casos diagnosticados com Hanseníase, em Cruzeiro do Sul, foram registrados 10 casos em uma unidade de saúde.

Segundo a enfermeira, Rafaela Oliveira, a Hanseníase é causada por uma bactéria e é uma doença que tem preferência pela pele e nervos do corpo.

Na década de 20, o isolamento foi a estratégia tomada como medida de controle por não existir tratamento com foco na cura da doença, diferente dos dias atuais, cita a enfermeira.

Atualmente, sabe-se que a doença é transmitida através das gotículas de saliva, espirro, fala ou tosse. Vale ressaltar, que nem todos que tem contato com a Hanseníase, podem contraí-la.

Em Cruzeiro do Sul, o tratamento é gratuito, liberado pelo Ministério da Saúde, podendo durar de seis meses a um ano. Após o início, nas primeiras semanas, o paciente não transmitirá a doença.

Campanha:

O Janeiro Roxo é uma campanha de prevenção à Hanseníase, oficializada pelo Ministério da Saúde e endossada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, em Cruzeiro do Sul está sendo realizado diversas atividades na zona urbana e rural voltadas para a conscientização da doenças.