Cruzeiro do Sul, Acre 18 de maio de 2026 14:13

Água consumida em casas próximas a cemitério em Tarauacá está contaminada, aponta análise

Os locais de coleta ficam próximos ao Cemitério São João Batista, no interior do estado, que tem sido alvo de denúncias do Ministério Público do Acre (MP-AC) por entender que pode ser considerado crime ambiental

Uma análise em 10 pontos de casas em Tarauacá, no interior do Acre, aponta que a água dos poços é imprópria para consumo. Os locais de coleta ficam próximos ao Cemitério São João Batista, no interior do estado, que tem sido alvo de denúncias do Ministério Público do Acre (MP-AC) por entender que pode ser considerado crime ambiental.

O promotor cita que a prefeita Maria Lucineia Nery decidiu continuar com o projeto de ampliação vertical do cemitério, mesmo após ser advertida que não poderia fazê-lo sem a devida Licença Ambiental Única (LAU).

“O que motivou essa diligência por parte do MP, realizada com extremo esforço e dedicação do Núcleo de Apoio Técnico [NAT] do MP-AC em parceria com a UFAC, foi a necessidade de conclusão da Ação Civil Pública nº 0800041-87.2020.8.01.0014, a qual visa a comprovação do dano moral coletivo e a condenação do Poder Público municipal no montante de R$ 100 mil , bem como para a defesa do meio ambiente e da coletividade tarauacaense, justificando, a fim de se adotar medidas para evitar maior contaminação dos poços de abastecimento, tal como exige o princípio da prevenção em matéria ambiental”, destacou o promotor.

Coleta foi feita em casas próximas ao cemitério de Tarauacá — Foto: MP-AC

A pesquisa contou com uma equipe da Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal) e confirmou a contaminação da água naquela região.

“Conforme resultado apresentado no laudo, todas as amostras coletadas evidenciaram algum tipo de contaminação, estando em desconformidade com a Portaria n° 888, de 04 de maio de 2021, do Ministério da Saúde, que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, sendo identificado os seguintes parâmetros presentes nas amostras: Coliformes Totais e Fecais, ferro, manganês, nitrato e turbidez”, destaca o relatório.

O médico veterinário da Utal, Rodrigo Gomes de Souza, ressaltou, no site oficial da Ufac, a importância da parceria entre Ufac e MP-AC, considerando o risco de contaminação da água subterrânea por patógenos oriundos de resíduos advindos do cemitério São João Batista.

“Esse fato se caracteriza como um risco à saúde da população que mora no entorno do cemitério, pois utilizam dessa água para consumo, sendo, na maioria das vezes, sem nenhum tipo de tratamento prévio”, ponderou.

O g1 entrou em contato com a prefeitura de Tarauacá e ainda aguarda retorno.

MP-AC também questiona área comprada pela prefeita para novo cemitério — Foto: Asscom/MP-AC

Terreno para construção de novo cemitério

A prefeitura divulgou em site oficial sobre o início do serviço de terraplanagem do terreno adquirido por R$ 400 mil reais, onde deve funcionar o novo cemitério. Mas, que nenhuma informação foi oficializada junto à promotoria da cidade sobre o terreno adquirido ou se este possui licença ambiental.

A necessidade de providências com relação ao cemitério já vem sendo alertada pelo MP-AC desde 2020, após o aumento de mortes causadas pela Covid-19. Na época, o órgão chegou a propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas o instrumento não foi assinado pela prefeita.

Outro ponto que, segundo o MP-AC, demonstra possível crime ambiental, é que o terreno do novo cemitério foi embargado pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) por ter realizado o serviço de terraplanagem sem a devida licença. Além disso, o Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do MP-AC fez uma vistoria no terreno, atestando as irregularidades.

Cemitério em Tarauacá está sendo ampliado — Foto: Asscom/Tarauacá

Capa: Ufac