Mesmo em meio ao aumento de internações de crianças com síndromes respiratórias graves e mortes pela doença, o Acre tem registrado baixa cobertura vacinal nas campanhas contra a Influenza e contra a Covid-19 no público infantil. Por isso, o infectologista Thor Dantas fez um alertas nas redes sociais para a importância do esquema completo de vacinação, sobretudo de crianças e idosos, para evitar casos graves das doenças respiratórias.
Foram nove óbitos de crianças em menos de dois meses, segundo a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre). O problema expôs a falta de estrutura dos hospitais para atendimento pediátrico. Diante desse cenário, o governo do estado criou um comitê emergencial para acompanhar o surto.
Em um vídeo postado nas redes sociais, o infectologista lembrou que o estado vive um momento das viroses respiratórias, que são sazonais, e afirmou que a Covid-19 tem apresentado esse mesmo comportamento, de surgir em ondas “de tempos em tempos”.
“Estamos vendo muitos casos graves agora por uma conjunção de fatores. Ficamos muito tempo protegido na pandemia, de máscara e evitando contato íntimo uns com os outros e isso nos protegeu da Covid-19 e das outras infecções respiratórias. Alcançamos um equilíbrio, então todo mundo voltou para as atividades normais, escola, trabalho, tirou as máscaras. Então, tivemos um rápido aumento dessa transmissão justamente no período em que as viroses respiratórias são comuns”, avaliou.
Ele explicou que as crianças e idosos acabam sendo os mais atingidos por essas infecções, podendo evoluir rapidamente para quadros mais graves. Por isso, a importância da vacinação.
“Para dois desses vírus tem vacina, para o vírus da influenza e da Covid. Muita gente não tomou o esquema completo de Covid. Os números começaram a baixar, e a pessoa tomou a primeira e não tomou a segunda dose. Muita gente não tomou o reforço. Lembrando que após um tempo, quatro meses depois da última dose do esquema básico, você deve tomar o reforço. Esse é um bom momento pra quem não tomou o esquema completo ou não tomou o reforço, olhar para a carteira de vacinação e ir tomar”, alertou.
O especialista também reforçou que a vacina contra a gripe deve ser tomada todos os anos e explicou que ela é atualizada, conforme a mutação dos vírus. Este ano, por exemplo, a vacina combate além do vírus H1N1, o H3N2.
“Vacinar as crianças e idosos é fundamental contra a Covid e contra a gripe. Para outros vírus não há vacina e a gente tem que ter cuidados gerais com todo mundo que está com quadro de infecções respiratórias. Principalmente para as crianças e idosos, que são os que mais complicam com gripes e resfriados.”

Dados mostram que menos de 12% das crianças de 5 a 11 anos tomaram a 2ª dose contra a Covid-19 no AC — Foto: Arquivo/Semsa
Cobertura vacinal de crianças
Conforme dados da Sesacre, com relação à vacinação contra a Covid-19, a meta é imunizar 120.654 crianças entre 5 e 11 anos, no entanto, somente 46.714 tomaram a 1ª dose, o que representa 38,72% e 14.035 tomaram a segunda dose, ou seja, 11,63% do público.
Esse baixo índice também é registrado na campanha contra a Influenza. Os dados do último boletim, divulgado nesta terça-feira (14), atualizado até o dia 9 de junho, apontam que menos de 20% das crianças com 6 meses de vida a menos 5 anos tomaram a vacina. Ao todo, são esperadas 72.297 crianças nessa faixa etária e somente 14.233 receberam o imunizante contra a gripe.
A vacinação com a tríplice viral, que previne o sarampo, caxumba e rubéola, também está muito abaixo da meta. Segundo os dados, do total de 76.759 crianças de 6 meses a menores de 5 anos que são esperadas, somente 15.684 foram levadas pelos pais para tomarem a vacina. O número representa somente 20,43% de cobertura.
A gerente do núcleo do Programa Nacional de Imunização (PNI) no Acre, Renata Quiles, também falou sobre a época do ano favorável para circulação de vírus respiratório como a Covid-19, Influenza e Sarampo e alertou sobre a necessidade da vacinação.
“O Vírus Sincicial Respiratório é o vírus da gripe mais comum e que ganhou força nos últimos meses, por causa da baixa cobertura vacinal de várias vacinas. Apesar de não haver uma vacina específica para o VSR, conseguimos mantê-lo enfraquecido quando temos sistemas imunológicos ativos e bem protegidos, e, só conseguimos este feito através de medidas de prevenção: lavagem frequente das mãos, alimentação saudável, hábitos saudáveis de vida e também o calendário básico de vacinação em dia. O clima não podemos controlar, mas podemos tomar medidas que amenizem a circulação do vírus em nossas casas, por exemplo, manter boa circulação de ar e higienização frequente dos ambientes. As doenças estão ao nosso redor a todo momento, cabe a nós dificultar a sua transmissão”, disse.
Orientações em casos gripais
Nos casos de crianças e idosos com infecções respiratórias, o especialista orienta que seja mantida hidratação, para prevenir complicações, além do uso de medicações sintomáticas para dor, febre, e para alívio dos sintomas nasais.
“É muito importante observar a evolução do caso, se está evoluindo com sinais de melhora ou piora. Crianças que não conseguem se hidratar em casa ou se alimentar, que estão muito apáticas, que não reagem, que estão muito quietas, com dificuldade para respirar, isso é sinal de gravidade. Em qualquer sinal de que não estão evoluindo bem, devem procurar o serviço de saúde cedo, antes que o quadro fique grave”, acrescentou.