Cruzeiro do Sul, Acre 14 de março de 2026 00:52

Professor é afastado após denúncias de 10 alunos por assédio sexual dentro de escola no Acre

Um professor foi afastado das funções após um grupo de 10 alunos denunciar ter sofrido assédio sexual dentro da unidade. As vítimas teriam de 12 a 17 anos e são estudantes do Colégio de Aplicação (CAP) da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco. A denúncia foi feita ao comando de greve dos professores, que elaborou um dossiê e encaminhou à reitoria da instituição.

O g1 apurou que o material encaminhado à reitoria retrata o relato de meninos e meninas, que sofreram assédio sexual no ambiente escolar. As denúncias apontaram que os crimes foram cometidos por, pelo menos, três professores.

Não foi divulgado o que a Universidade deve fazer em relação aos outros dois denunciados.

Nesta sexta-feira (17), a reitoria da Ufac divulgou que o processo está na Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Prodgep) para instauração de um processo administrativo disciplinar para investigar as denúncias recebidas.

O afastamento é válido por 60 dias. Uma Comissão Especial de Processo Administrativo Disciplinar será criada com competência exclusiva para investigar e processar o referido caso. A universidade não confirmou se acionou a polícia para também apurar as denúncias.

Docentes fizeram um ato na Ufac para cobrar celeridade nas apurações — Foto: Arquivo/Adufac

“Diante da relação de hierarquia existente, podendo trazer prejuízos ao andamento regular do procedimento investigativo, bem ainda comprometer o processo pedagógico de ensino-aprendizagem dos alunos e o ambiente saudável e de confiança que deve permear a relação professor/aluno na formação educacional, foi determinado, como medida cautelar o afastamento do exercício do cargo, do servidor, pelo prazo de 60 dias”, diz a nota da universidade.

Também nesta sexta, Associação de Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac) fez um ato silencioso dentro do campus para cobrar celeridade na apuração dos casos de assédio sexual praticados dentro da universidade.

Além de pedirem uma investigação rígida na denúncia dos alunos vítimas de assédio sexual no Colégio de Aplicação, os professores também solicitaram, durante o ato, uma resolução do caso do estudante de história Alicio Lopes de Souza, suspeito de assédio e afastado da universidade desde setembro do ano passado.

“A apuração do caso tramitou, mas não tivemos ainda um desfecho. Então, pedimos a celeridade no desfecho dele e, diante da denúncia trazida pela comunidade do Colégio de Aplicação, que foi repassado à reitoria e envolve um público muito mais vulnerável de alunas em uma relação de aluna e professor, exigimos também uma celeridade da administração no trato desta questão dada o quanto que isso é absolutamente delicado, complexo e, claro, exige uma atenção absoluta dentro desse contexto em que vivemos”, explicou a presidente da Adufac, professor Letícia Mamed.

Docentes cobraram também resposta sobre apuração de aluno de história afastado em 2023 suspeito de assédio no campus de Rio Branco — Foto: Arquivo/Adufac

Denúncias de assédio

As denunciantes relataram ao comando de greve que os assédios eram praticados há um certo tempo dentro do colégio. Segundo a presidente da Adufac, os relatos foram trazidos à tona agora após fatos extremos.