Cruzeiro do Sul, Acre 16 de maio de 2026 22:04

Dose alta de remédio para epilepsia pode ter causado morte de presidiário, alega família

Cristiano Dias da Silva, 46 anos, foi encontrado morto dentro da cela do presídio Manoel Nery da Silva, nesta segunda-feira, 22. A família alega que houve negligência por parte da administração penitenciária.

Conforme a família, Cristiano era epilético e teria recebido uma dose excessiva de um remédio chamado Depakene, que pode causar efeitos colaterais graves.

Graciete da Silva Nascimento, prima de Cristiano, disse que visitou o apenado na última sexta-feira, 19, no hospital do Juruá, para onde ele foi levado após passar mal na prisão. Ela afirmou que ele não ficou internado e que estava sendo acompanhado por um cuidador na ala do presídio.

Já no sábado, 20, sua tia tentou visitá-lo, mas não foi autorizada a entrar. “Ele já estava se sentindo ruim e o presídio, para não se sentir um pouco culpado com a situação, não a deixou entrar”, conta Graciete.

Nesta segunda-feira, 22, por volta das 9h, ela recebeu uma ligação do diretor do presídio, Elves Barros, informando sobre a morte de Cristiano. Segundo Barros, o preso não atendeu ao chamado na conferência matinal e foi encontrado sem vida em sua cela. Ele disse que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e constatou o óbito. A causa da morte seria uma parada cardíaca, mas somente os exames cadavéricos poderão confirmar.

Graciete disse ainda que a família vai entrar com uma ação contra o Estado por conta da morte de Cristiano. Ela disse que tem o laudo médico e um relatório da assistência social do hospital que comprovam que ele era epilético e que estava tomando o Depakene. Ela acredita que houve negligência por parte do presídio e que o primo não recebeu a assistência adequada. “Ele era um ser humano, ele tinha direito à vida, ele tinha direito a um tratamento digno”, pontua.