Cruzeiro do Sul, Acre 17 de maio de 2026 20:06

Indígenas do Acre, Amazonas e Rondônia fazem caminhada pela vida exigindo demarcação de terra e atenção de governo

O encontro de mais de 200 indígenas de 10 etnias dos Estados do Acre, Amazonas e Rondônia está ocorrendo em Cruzeiro do Sul, no centro de treinamento da Diocese, ao lado do 61 Bis.

Na manhã desta quinta-feira, 07, eles realizaram uma caminhada pela vida, até a Ponte da União, com o objetivo de mostrar aos mais jovens, a necessidade de lutar pelos seus direitos, como afirmou a indígena Lucila Nawa.

“O motivo da manifestação é para que respeitem o direito dos povos indígenas, pois não estão respeitando. Estamos aqui, mais uma vez, para a demarcação de nossas terras porque a constituição garante à todos os territórios indígenas serem demarcados. O povo Nawa já vive há 100 anos de luta e lutando por um pedaço de terra. Cruzeiro do Sul é a nossa terra. Daqui já fomos expulso. Estamos aqui pelo nossos filhos e netos, buscando uma educação e saúde melhor”, disse Lucila.

Ainda segundo ela, as terras estão localizadas no município de Mâncio Lima, na Serra do Divisor. São mais de 80 famílias protestando, totalizando mais de 500 pessoas.

Paulo Nukini, morador do município de Mâncio Lima, relata que não é contrário às necessidades dos Povos da cidade, como é o caso da estrada para Pucalpa, mas que às decisões sejam tomadas de maneira a não causar impactos aos indígenas. Ele e sua Tribo querem também mais atuação de governo em suas terras. “Esse movimento são de três estados para poder dar suporte aos jovens que ainda não conhece a política indígena. Temos indígenas estudando debaixo de árvores, pois as escolas não estão sendo feitas. Queremos a segurança do estado nas fronteiras, pois as comunidades estão sendo prejudicadas”, cita.

Assis Shanenawa cobrou a demarcação das terras. “Nós viemos de Manoel Ubarno, interior do Acre em busca da demarcação de nossas terras onde fomos expulsos pelos paulistas, fazendeiros onde está assentado um parque no Rio Purus. Queremos voltar para vivermos nossa tradição e cultura. São 52 famílias sem abrigo e passando fome”, cita.

Shanô é de Feijó e falou sobre a participação dos jovens no movimento. “Esse é um momento especial para nossa juventude não só da nossa região, mas de todos os indígenas do Brasil. Estamos aprendendo com nossos avós e pais. Daqui para frente vamos continuar assegurando nossas terras onde vivemos e praticamos nossa cultura. Queremos crescer nessa união e força. São mais de 200 jovens participando”, pontua.