Após 10 dias, o menino Davi Lucca Guimarães Torres, de 9 anos, apresentou melhora com o tratamento contra a meningite bacteriana, teve alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi para um leito de enfermaria do Hospital da Criança, que funciona atualmente no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC). Segundo a mãe, Bruna Ketlhen Barbosa, ele já está andando e falando.
Davi estava na UTI desde o último 26 e na última terça-feira (6) foi para Centro de Terapia Intensiva (CTI). Após apresentar melhora considerável no quadro clínico, ele foi encaminhado nessa quinta (8) para a enfermaria da unidade.
“Os médicos dizem que o caso dele não é mais grave e que agora é só terminar o tratamento com medicamento e avaliar o nível de infecção. Ele está andando, falando e pede pra ir para casa todos os dias, sente saudade de todo mundo. Não tem como receber visita, mas a gente leva ele lá na frente da unidade e a família vem e ele fica todo feliz. Ele não está com nenhuma sequela visível, mas os médicos falam que precisam esperar um período para ver se vai ter alguma neurológica. Segue sendo avaliado por neurologista”, disse a mãe.
Apesar da melhora, Bruna afirmou que ainda não há previsão de alta. “Foi um milagre de Deus, estava em estado gravíssimo quando chegou no hospital. Agora estou muito aliviada e feliz em ver como ele está evoluindo”, concluiu.
Emocionado com vídeo de goleiro acreano na Copa
Fã do goleiro Weverton, do Palmeiras, que é o primeiro acreano convocado para disputar a Copa do Mundo, o pequeno Davi enviou um vídeo desejando sorte ao jogador e dizendo para ele ganhar a Copa.
“Eu quero que você ganhe essa Copa e quando você entrou em campo, eu sentei na cama. Um beijo, vai aparar a bola do ano”, disse o pequeno.
Segundo a mãe, o vídeo de Davi foi enviado ao goleiro com a ajuda do terapeuta dele que é amigo do Weverton. E, para a surpresa do menino, o jogador acreano respondeu enviando um recado e agradecendo pelo carinho. Um vídeo gravado pela família do pequeno mostra ele emocionado ao ver a mensagem.
“Fala aí Davi Lucca, tudo bem? Aqui é o Weverton. Passando aqui pra mandar esse vídeo pra você, agradecer o carinho. Fiquei muito feliz de receber o teu vídeo, de ver que você tá bem e torcendo por mim quando entrei em campo pela nossa seleção e, se Deus quiser, vai dar tudo certo. Mas, meu vídeo pra ti é pra te desejar melhoras também, dizer que fiquei muito feliz de ver teu vídeo e te mandar um grande abraço. Que Deus te abençoe, te dê muita saúde, tá bom? Fica com Deus”, disse Weverton no vídeo.

A criança deu entrada no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) no dia 26 de novembro e após receber o diagnóstico de meningite bacteriana, foi transferido para o Into.
Na época, a mãe de Davi afirmou que ele estava com a carteira de vacinação completa e que não fazia ideia de como ele poderia ter contraído a doença. Segundo ela, nenhum outro parente ou conhecido apresentou sintomas da doença.
“Não faço ideia de como isso aconteceu, ninguém que teve contato com ele teve sintomas. O Davi está totalmente vacinado, o quadro dele de vacinas está completo. Só falta tomar vacina de 11 anos, porque ainda está com 9 anos. A gente não tem nem noção de onde ele se contaminou”, afirmou Bruna.
Meningite
A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela é causada por diversos agentes infecciosos (bactérias, vírus e fungos).
Este ano, o Acre registra 67 casos suspeitos de meningites, segundo boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (1) pela Secretaria Estadual de Saúde. Ao todo, 13 casos foram confirmados no estado entre janeiro e esta quinta.
Desde janeiro, quatro pessoas morreram por conta da doença, sendo um óbito por meningite fúngica e 3 por meningite viral. Os dados apontam que a taxa de letalidade, em 2022, para todas as meningites é de 30,7%.
A meningocócica é uma meningite bacteriana e, junto com a pneumocócica, é considerada uma das formas mais graves e preocupantes da doença.
A meningite tem uma alta taxa de mortalidade e sequelas, como surdez, perda dos movimentos e danos ao sistema nervoso. As crianças são a faixa etária mais atingida, e os pacientes devem ter um acompanhamento por pelo menos seis meses depois da doença.
A doença é transmitida quando pequenas gotas de saliva da pessoa infectada entram em contato com as mucosas do nariz ou da boca de um indivíduo saudável.
Sintomas e diagnóstico
Os principais sintomas da meningite são dor de cabeça, febre e confusão mental. Nem sempre há rigidez na nuca, e o teste não pode ser feito por um leigo apenas ao baixar a cabeça – só um médico pode avaliar o quadro corretamente.
O diagnóstico “padrão ouro” ocorre pelo exame do líquor, líquido que banha o sistema nervoso. A cor do líquor já indica se a meningite é por bactéria ou vírus.
Baixa cobertura vacinal
A Saúde estadual alerta que o motivo do avanço nos casos e óbitos da doença é a queda do índice de vacinação, principal meio de prevenção e que chega a combater 90% das formas mais graves da doença.
No Acre, as taxas de cobertura vacinal contra a enfermidade, principalmente nas modalidades meningocócicas, estão abaixo das recomendadas pelo Ministério da Saúde (MS).
As vacinas contra a meningite bacteriana são consideradas as medidas mais eficazes e seguras para evitar quadros mais graves da doença, que produzem sequelas como amputações, surdez, cicatrizes ou morte.
A vacina disponível na rede pública protege contra o tipo C da doença e é ofertada ao público prioritário: crianças menores de cinco anos de idade, adolescentes de 11 e 12 anos e pessoas com comorbidade. A cobertura para a vacina meningocócica C (conjugada) no ano de 2021 foi de 69,81% em crianças. Já de janeiro a setembro de 2022, a cobertura está em 67,83%, sendo que o preconizado pelo MS é 95%.