Vinte hectares de floresta plantada há mais de 30 anos destruída. Esse é o prejuízo deixado pelo incêndio que atingiu a área do Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF) da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre), localizada no km 7 da Rodovia Transacreana, zona rural de Rio Branco. A área tem 32 hectares reflorestados com diversas frutas e árvores de várias espécies.
O fogo começou na tarde da última quarta-feira (31). Servidores da CPI-Acre, indígenas, ICMbios e brigadistas começaram a correr contra o tempo para apagar o fogo e evitar que toda área reflorestada e a sede da comissão fossem queimadas.
O incêndio foi parcialmente controlado durante à noite, mas voltou na madrugada de quinta. Pela manhã, as equipes receberam o reforço de outros brigadistas e moradores próximos.
“O prejuízo para nós, indígenas, todos os seres humanos que vivem nessa parte da floresta, que gostam da floresta, é muito triste porque a biodiversidade é vida. Se você queima um capim está matando uma vida que consegue ajudar no solo. Quando queima uma floresta? Aqui era campo e nós reflorestando porque o indígena convive com a floresta, com a mata, o peixe, a caça e quando a gente viu esse incêndio ficamos muito tristes porque têm muitos animais que vem comer dentro da nossa área”, lamentou o brigadista Ismael Menezes Brandão, da etnia Shanenawa de Feijó.
O sítio da CPI-Acre é uma escola de formação indígena, reconhecida pela Secretaria Estadual de Educação (SEE), de ensino médio dos agentes agroflorestais indígenas. Toda a área tem cerca de 32 hectares de mata reflorestada.
Mesmo com os esforços, Brandão falou que a área destruída pelo fogo pode ser maior. Ele explicou que o fogo também prejudicou fazendeiros e queimou pastos.
“A área toda do fundo foi queimada. Não vou afirmar que foi um incêndio criminoso porque a gente ainda não buscou o que aconteceu. Como é período de verão, seca mesmo, pode ter sido uma faísca de cigarro, alguma queimada de lixo perto daqui”, complementou.
A sede da comissão fica próximo dessa área e as equipes trabalham para evitar que o fogo também chegue aos alojamentos, escritórios e a estrutura central.
Ainda na madrugada de quinta, a área de mata voltou a pegar fogo e os servidores do centro e quatro indígenas, sendo dois deles brigadistas, que estão na capital para participar de reunião sobre mudanças climáticas, foram para a região tentar controlar o fogo.
