Pensando em desafogar a demanda do Poder Judiciário e fomentar a conciliação de conflitos, o Projeto Pacificar, da Polícia Civil, atendeu 50 pessoas durante mutirão feito na manhã desta quinta-feira (2) na 1ª Regional de Rio Branco.
O projeto Pacificação Social (Pacificar) é uma política Institucional que tem como objetivo principal ajudar os cidadãos que buscam a ajuda da Polícia Civil para mediar uma solução dos seus conflitos, considerados de menor potencial ofensivo.
A atual coordenadora do projeto, delegada Carva Ívane, disse em entrevista à CBN Amazônia que a intenção do projeto é pregar o amor, perdão, reconciliação, tolerância, além da paz social e familiar. Ela destacou ainda que o projeto começou com a delegada aposentada Maria Lúcia Jaccoud, que teve a sensibilidade de perceber a importância dessa mediação.
“Foram identificados diversas situações que uma simples conversa poderia ajudar a compor o conflito. Sabemos que o Judiciário já está inflado de vários processos, que tem uma pauta de audiência extensa e, muitas vezes, a ameaça não pode esperar. A idealizadora do projeto Pacificar foi a delegada Lúcia, que hoje está aposentada e eu tenho a honra de ocupar a coordenação, substituindo nessa grande missão e estou muito feliz nesse meu novo desafio e em Rio Branco, ela identificou e abraçou isso. A gente diz que a delegada Lúcia é a mãe do projeto Pacificar e tenho que fazer essa especial reverência por toda importância que ela tem na existência desse projeto, que acabou virando uma política institucional da Polícia Civil”, destacou.
Atendimentos e conciliações do Pacificar
| Ano | Atendimentos | Acordos | Porcentagens |
| 2015 | 164 | 146 | 89,02% |
| 2016 | 275 | 255 | 92,72% |
| 2017 | 758 | 596 | 75,92% |
| 2018 | 1.258 | 1.006 | 79,96% |
| 2019 | 1.137 | 741 | 65,17% |
| 2020 | 254 | 175 | 68,89% |
| 2021 | 440 | 315 | 70,99% |
| Total | 4.286 | 3.234 | 75,40% |
Mais de 3,2 mil acordos
Desta forma, ao invés de trabalhar somente a repressão, os núcleos trabalham também a prevenção. Desde sua implantação, em 2015, o projeto já atendeu 4.286 pessoas, tendo 3.234 acordos feitos no âmbito da Polícia Civil, tendo assim um índice de 75% de êxito nesses procedimentos.
“A solução é construída pelas próprias partes que contam com a ajuda de um mediador, que está ali treinado, devidamente orientado. A gente tem sucesso porque as partes cedem um pouquinho e acabam chegando em uma solução. Muitas vezes tem aquelas brigas intermináveis da vizinhança, que sempre há vários registros de ocorrência, que ficam aguardando audiência no Judiciário e, enquanto isso, a ameaça pode evoluir para uma lesão corporal, um dano, e a gente, através do Pacificar, onde as audiências são mais céleres, consegue alcançar isso e evitar a judicialização dos conflitos, então é um acordo extrajudicial que é o que aconteceu hoje no nosso mutirão na primeira regional”, explica a delegada.
Os casos mais comuns registrados e que são passíveis desse tipo de acordo, são, segundo a delegada, difamação, injúria, xingamentos, conflitos familiares ou da vizinhança, além de ameaças e danos.
“A gente tem casos de pessoas que adoeceram por causa da extensão desses conflitos e, quando descobriram a existência do Pacificar, conseguiram realizar a composição e realmente conviver com a paz social, evitando um processo judicial que deve levar mais tempo em razão do grande número de procedimentos”, destaca.

Já foram mais de 3,2 mil acordos feitos pelo projeto — Foto: Arquivo pessoal
Expansão
Os núcleos existem em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Porto Acre e Plácido de Castro e a intenção, segundo a coordenadora, é levá-los para outras cidades do interior do estado, começando pelo Alto Acre.
Além de servidores da Polícia Civil, o projeto conta com atuação de estagiários e até voluntários que querem ter experiência na área.
“São três núcleos de conciliação e um que já fica ali preparado para, caso a gente não tenha êxito, esse acordo vai ser encaminhado para essa sala, onde vai ser feito o TCO [termo circunstanciado de ocorrência]. Importante a gente destacar que as causas que podem ser conciliadas no âmbito extraoficial da delegacia são aquelas relacionadas a crimes de menor potencial ofensivo, que a lei permite a composição. Em casos mais graves, o caminho é judicializar mesmo”, finaliza.
Colaborou Richard Lauriano, da CBN Amazônia Rio Branco.