Rodrigo Pinto, filho do ex-governador do Acre Edmundo Pinto, assassinado aos 38 anos, em 1992, em São Paulo, se manifestou nas redes sociais após declarações do secretário estadual de Saúde, José Bestene, durante entrevista ao FolhaCast, podcast da Folha do Acre, na última quarta-feira, 4. Rodrigo contestou a versão de que a morte do pai tenha ocorrido durante um latrocínio e afirmou acreditar que o crime foi uma execução por pistolagem.
A manifestação ocorreu depois que Bestene, que presidia a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) na época do assassinato, declarou ao podcast não acreditar que a morte do então governador tenha sido motivada por questões políticas.
“Olha, eu não creio de maneira nenhuma que tenha sido um crime político”, afirmou o secretário durante a entrevista.
Bestene também sustentou que as investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo foram suficientes para esclarecer as circunstâncias do assassinato.
“Isso daí eu descarto, descarto mesmo essa questão do crime político, porque foi muito vasculhado, foi muito fiscalizado, a polícia de São Paulo e tudo, e eles chegaram à conclusão de que, na verdade, foi um latrocínio”, declarou.
As afirmações provocaram a reação de Rodrigo Pinto, que publicou um vídeo em contestação e pediu direito de resposta às declarações do secretário.
“Estou falando diretamente com o povo do Acre. Nesses últimos dias, no site de notícias Folha do Acre, através do podcast, o senhor José Bestene fez declarações a respeito do assassinato, da execução do ex-governador Edmundo Pinto em São Paulo, afirmando que foi latrocínio, que não seria crime político. Isto é uma completa irresponsabilidade”, afirmou.
Na gravação, Rodrigo questionou a disponibilidade dos documentos relacionados às investigações sobre a morte do pai. Segundo ele, informações importantes sobre o caso não estariam mais disponíveis nos arquivos policiais e públicos.
O filho do ex-governador também mencionou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada na Assembleia Legislativa do Acre, na década de 1990, para investigar questões relacionadas ao Canal da Maternidade.
Rodrigo afirmou que não conseguiu identificar quem presidia ou relatava a comissão, mas lembrou que José Bestene ocupava a presidência do Legislativo estadual naquele período.
Em seguida, relacionou a destruição de documentos da CPI a um incêndio ocorrido na sede da Assembleia Legislativa. Segundo seu relato, o fogo teria comprometido registros, gravações e depoimentos produzidos durante os trabalhos parlamentares.
“O que tem de certo é que todos os documentos relacionados à CPI do Canal da Maternidade realizado pela Assembleia Legislativa do Estado do Acre foram destruídos. Gravações, depoimentos, tudo foi destruído, o que torna isso muito suspeito”, declarou.
Rodrigo também afirmou que, segundo seu conhecimento, o laudo pericial sobre o incêndio não teria apresentado uma conclusão definitiva.
Ao comentar novamente a morte do pai, Rodrigo rejeitou a conclusão de latrocínio apresentada por Bestene e mencionou investigações parlamentares realizadas no Congresso Nacional sobre crimes de pistolagem.
“Não foi, foi crime de pistolagem”, declarou.
Segundo Rodrigo, uma CPI do Congresso Nacional teria analisado casos de assassinatos de autoridades políticas, incluindo o do senador Olavo Pires, de Rondônia, e o de Edmundo Pinto.
Em um dos trechos mais contundentes da manifestação, o filho do ex-governador dirigiu críticas diretamente a José Bestene, atribuindo ao então presidente da Assembleia responsabilidade administrativa pelas condições do prédio atingido pelo incêndio.
“Portanto, José Bestene, você se torna um suspeito por ser presidente da Assembleia e pela sua ingerência, incompetência e manutenção básica do prédio fez com que muitas coisas fossem destruídas pelo fogo. Não fale sobre a minha família”, afirmou.
Edmundo Pinto foi assassinado em São Paulo, em 1992, quando exercia o cargo de governador do Acre. A investigação policial concluiu que o crime foi um latrocínio, versão que, conforme relatado por Rodrigo, continua sendo contestada pela família.