O Paraguai enfrenta uma crise econômica e política após uma intervenção no Ueno Bank, instituição financeira digital que fechou as portas nesta semana. O caso levou à renúncia do presidente e de dois diretores do Banco Central do Paraguai (BCP), e culminou em um pedido de impeachment contra o presidente do Paraguai, Santiago Peña.
O BCP determinou pelo fim do Ueno no dia 3 de novembro, por considerá-lo insolvente — quando uma instituição financeira não consegue honrar seus compromissos. Neste sentido, a autoridade paraguaia determinou a suspensão das operações e iniciou um procedimento de resolução do banco digital.
Avançando no caso, o Ministério Público do Paraguai solicitou ainda uma investigação criminal sobre o banco e pediu pela prisão de dois dirigentes da instituição. As apurações envolvem suspeitas relacionadas à gestão e a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador, o que teria comprometido o patrimônio do banco.
A crise também atingiu a cúpula do Banco Central. Carlos Carvallo, que era presidente autoridade monetária desde 2023, renunciou ao cargo. No dia seguinte à renúncia de Carvallo, outros dois integrantes da diretoria, Carmen Marín e Marco Aurelio González, também deixaram seus cargos.
Antes de assumir o BCP, Carvallo foi presidente do Banco Ueno. Já o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que é economista de formação, foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa relacionada ao grupo controlador do banco.
A relação de Peña com a instituição financeira em crise levou parlamentares da oposição a apresentarem um pedido de “julgamento político” contra o presidente paraguaio. O pedido se assemelha ao processo de impeachment no Brasil e pode levar ao afastamento do mandatário. O partido da base governista do político também se ajuntou ao pedido impeachment.
Crise e manifestações
Com mais de três milhões de clientes, o Ueno Bank atendia cerca de 40% da população paraguaia, inclusive brasileiros que utilizavam a instituição financeira. Depois que o Banco Central assumiu o controle do Ueno, o acesso aos recursos no banco foi suspenso e gerou uma onda de protestos nas ruas do Paraguai.
Clientes do banco digital paraguaio realizaram protestos no centro da capital do país, em Assunção, e em frente à residência oficial do presidente Santiago Peña, exigindo a devolução integral de seus recursos. Nessa quarta-feira (4/11), Santiago Peña informou que o Banco Central do país ressarciria os clientes afetados pela dissolução do banco digital.
O BCP agora atua em uma forma de ressarcir os clientes do banco. O órgão informou que vai disponibilizar o adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos dos usuários da instituição financeira. Os valores devem ser pagos a partir desta semana e devem ser desembolsados até 40 salários mínimos para os atingidos pela crise do Ueno Bank.
O adiantamento dos valores será feito por meio de outras instituições financeiras. Para quem não tem outra conta, será aberta uma provisória em outro banco.
Funcionários do banco também foram às ruas protestar contra a crise no país.
O BPC também atua no auxílio a essas pessoas, que de acordo com a autoridade monetária paraguaia, terá seus direitos e pagamentos garantidos, além de receberem os respectivos pagamentos nos próximos dias.