Três anos após o acidente aéreo que matou 12 pessoas em Rio Branco, a investigação sobre as causas da queda continua em andamento e chegou a 65% de conclusão. O avanço foi de apenas 5% em relação ao ano anterior, quando o trabalho estava em 60%. No primeiro ano da tragédia, o índice era de 55%.
👉 Contexto: O acidente aconteceu na manhã de 29 de outubro de 2023, um domingo, quando um avião modelo Caravan, de matrícula PT-MEE, caiu em uma área de mata logo após decolar do Aeroporto Internacional de Rio Branco. A aeronave, com capacidade para até 14 pessoas, explodiu com o impacto e todos os ocupantes morreram: dois tripulantes e dez passageiros.
Entre as vítimas estavam seis homens, três mulheres e uma criança de 1 ano e 7 meses, além do piloto e do copiloto. A tragédia foi considerada a maior registrada na aviação do Acre desde o acidente envolvendo uma aeronave da Rico, em 2002, que deixou 23 mortos em Rio Branco.
Os dados mais recentes do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer) indicam que ainda estão em desenvolvimento etapas da coleta de informações técnicas e humanas relacionadas à ocorrência.
Entre os pontos examinados estão os componentes e os sistemas da aeronave, o desempenho técnico do ser humano e os aspectos psicológicos.
O relatório também aponta que são analisadas questões de segurança ligadas à operação da aeronave, aos sistemas e componentes e aos procedimentos de manutenção e reparo. Até o momento, não foram emitidas recomendações de segurança.
A evolução do trabalho de investigação mostra uma desaceleração no avanço percentual entre o segundo e o terceiro ano após o acidente:
- 1 ano após a queda: 55% de conclusão;
- 2 anos após a queda: 60% de conclusão;
- 3 anos após a queda: 65% de conclusão.
Veja fotos do local onde avião com 12 pessoas caiu em Rio Branco, no Acre
O percentual, segundo o relatório, indica o estágio informado da investigação, mas não detalha o peso de cada etapa nem permite estimar quanto tempo ainda será necessário para a conclusão.
Ainda de acordo com o Cenipa, não há um prazo fixo para a finalização dos relatórios de acidentes aeronáuticos. O tempo de apuração depende das particularidades de cada caso.
“A conclusão desta investigação terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade da ocorrência e, ainda, da necessidade de descobrir os possíveis fatores contribuintes”, complementou.
O acidente
A aeronave decolou do aeródromo Plácido de Castro, em Rio Branco, com destino ao aeródromo João Fonseca, em Envira, no interior do Amazonas. O voo era realizado para o transporte de passageiros e tinha dois tripulantes e dez passageiros a bordo.
O acidente aconteceu por volta das 7h20, cerca de um minuto depois da decolagem. O avião da empresa A.R.T. Táxi Aéreo caiu em uma área de mata e explodiu.

O trajeto ainda previa uma parada em Eirunepé, também no Amazonas. A maioria dos passageiros estava no Acre para tratamento de saúde e retornava às cidades de origem.
A violência do impacto e o incêndio após a queda deixaram os corpos das vítimas carbonizados, dificultando o trabalho de identificação. Por isto, após esgotar as técnicas disponíveis, o Departamento da Polícia Técnico-Científica recorreu à extração de DNA preservado no interior dos ossos para tentar identificar os restos mortais.
Mesmo com o procedimento, uma das vítimas ainda não havia sido identificada por essa técnica três anos após a tragédia. Era Francisco Eutimar, de 32 anos, natural de Eirunepé, no Amazonas.

As vítimas do acidente são:
- Kleiton Lima Almeida (copiloto), de 39 anos, nasceu e morava em Itaituba, no sudoeste do Pará. Ele tinha se tornado pai há um mês, segundo a irmã, Gardeny Lima;
- Antônia Elizângela era natural de Envira, no Amazonas. Segundo nota divulgada pela prefeitura do município, ela era pecuarista.
- Jamilo Motta Maciel, de 27 anos, era dentista e morava em Eirunepé;
- Raimundo Nonato Rodrigues de Melo, de 32 anos, morava em Eirunepé. Ele era dentista e estava na capital acreana para fazer um curso;
- Francisco Alexsander Barbosa Bezerra, de 29 anos. Também de Eirunepé, ele trabalhava como vigilante de carro forte e deixa uma filha de 7 anos;
- José Marcos Epifanio, de 46 anos. Natural de Envira, ele era irmão de Antônio Cleudo, que também morreu no acidente, e empresário do ramo de combustíveis.
- Clara Maria Vieira Monteiro (filha) e Ana Paula Vieira Alves, de Eirunepé. A mãe tinha 19 anos e a criança, 1 ano e 7 meses.
- Cláudio Atílio Mortari (piloto) – Ele era natural de São Paulo, mas também morava em Itaituba, no Pará. De acordo com trabalhadores da empresa, Cláudio morava no Pará desde a década de 80;
- Edineia de Lima – Servidora do município de Envira, segundo nota divulgada pela prefeitura do município;
- Antônio Cleudo Mattos – Natural de Envira, no Amazonas, tinha 46 anos. Era irmão de José Marcos, e também era empresário do ramo de combustíveis;
- Francisco Eutimar Bernardo de Souza – Ele era natural de Eirunepé, no Amazonas, e tinha 32 anos.