Cruzeiro do Sul, Acre 28 de outubro de 2026 17:32

Em carta, Flávio se declara ‘verdadeiro presidente eleito’ ao chegar nos EUA

Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta nesta quarta-feira (28) na qual se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, contesta o resultado das urnas e acusa o governo petista e integrantes do Judiciário de promoverem uma perseguição política contra ele.

O documento foi divulgado após o senador deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas. A viagem ocorreu dois dias depois da derrota eleitoral e após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do parlamentar no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades.

Na carta, o senador afirma que não deixou o país para fugir, mas para escapar do que classifica como um regime de exceção. Ele também agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, e diz que pretende continuar sua atuação política a partir do território americano.

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, escreveu Flávio na abertura do documento.

Flávio acusa Lula de fraude eleitoral

Um dos principais argumentos apresentados pelo senador é a alegação de que houve fraude no segundo turno, realizado no domingo (25). Sem apresentar, na carta, provas que comprovem a acusação, Flávio questiona a diferença de votos entre as duas etapas da eleição e critica uma decisão judicial que, segundo ele, teria estendido o horário de votação.

Na disputa, Lula venceu o segundo turno com mais de 4,4 milhões de votos de vantagem sobre o adversário. O resultado oficial contrariou a campanha de Flávio, que agora afirma ter sido vítima de irregularidades e pede que as instituições brasileiras revisem o que aconteceu.

O senador também acusa o Judiciário de agir de maneira parcial e sustenta que decisões tomadas contra ele fazem parte de uma estratégia para impedir sua atuação política. Na carta, menciona possíveis medidas como apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e condenação, que apresenta como etapas de uma suposta perseguição.

Flávio afirma que não existe mandado de prisão contra ele e diz que sua saída do país foi motivada pelo receio de ser submetido a medidas judiciais que considera arbitrárias.

Agradecimentos a Trump e promessa de liderar oposição

Ao justificar a mudança para os Estados Unidos, Flávio afirma que levou a família para o país por considerar que lá teria segurança jurídica. O senador agradece a Trump e ao governo americano pela acolhida e faz elogios à liberdade de expressão nos Estados Unidos.

O parlamentar também cita figuras históricas e políticas que atuaram ou viveram no exílio, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além de opositores de governos latino-americanos. A comparação é usada para sustentar a ideia de que poderá continuar sua atuação política mesmo fora do Brasil.

“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu, ao afirmar que pretende assumir a liderança da oposição a partir do exterior.

Na parte final do documento, Flávio se dirige a apoiadores, parlamentares e governadores que considera aliados e promete apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar a oposição. Ele afirma que pretende recorrer a meios que classifica como pacíficos e legítimos para impedir que Lula consolide o que chama de regime ditatorial.

A carta termina com a promessa de continuar se comunicando regularmente com os brasileiros e com a afirmação de que sua luta política não terminou com a derrota eleitoral.

Até o momento da publicação do documento, Flávio não apresentou provas que sustentem as acusações de fraude eleitoral. A declaração de que seria o “verdadeiro presidente eleito” representa sua posição política, mas não altera o resultado oficial da eleição.