Cruzeiro do Sul, Acre 28 de outubro de 2026 17:32

Movimentos antecipados para eleição da Mesa Diretora acendem alerta no Palácio

Apesar de a governadora reeleita Mailza Assis afirmar, durante entrevista no Bar do Vaz, que não pretende interferir na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa em 2027, interlocutores do Palácio Rio Branco entendem que o posicionamento é apenas protocolar.

“A governadora deverá se posicionar na hora certa, já que historicamente todo governador é o responsável por abençoar quem comandará o Poder Legislativo”, informou um assessor influente do Executivo.

Mesmo tendo um ótimo relacionamento com o atual presidente da Casa, deputado Nicolau Júnior, reeleito para mais quatro anos como o mais votado, com 18.149 votos, o cenário abre algumas lacunas na comunicação entre os poderes.

Nicolau já declarou que pretende concorrer novamente ao comando da Casa na próxima legislatura e se articular entre os parlamentares reeleitos e os novatos que assumem suas cadeiras em fevereiro de 2027. Até aí, o governo entende ser um movimento normal, mas estranha o fato de não haver nenhuma sinalização de uma conversa mais ampla e direta com o Poder Executivo.

O Palácio vê com bons olhos a permanência de Nicolau na presidência, considerando o trabalho realizado, mas ainda não chegou à mesa da nova mandatária do Executivo uma proposta que abrangesse um grande acordo, como o direito de indicar a vice-presidência e, mais importante ainda, a primeira-secretaria, com o compromisso de um rodízio de cadeiras daqui a dois anos, quando deve ocorrer uma nova eleição para a Mesa Diretora.

Por outro lado, interlocutores nos corredores da Aleac destacam que o governo ou seus principais assessores não abordaram a pauta em nenhum momento. Para eles, o problema seria essa falta de comunicação prévia, já que a eleição para a Mesa ocorre no início de fevereiro. Apesar das articulações, muitos consideram cedo para cravar nomes ou apoios.

O governo vê com bons olhos o deputado Clodonaldo Rodrigues para ocupar a primeira-secretaria. Ele também tenta articular sua candidatura à presidência e estudaria garantir apoio a Nicolau caso recebesse o compromisso de ser escolhido para o cargo de primeiro-secretário.

No entanto, o nome de Rodrigues enfrenta contestação interna na própria Casa do Povo devido a questões jurídicas que podem colocar em risco seu mandato e atrair a atenção de órgãos de fiscalização para dentro da Aleac, o que, para muitos parlamentares, geraria situações embaraçosas. “A República cairia”, frisou um deputado que pediu reserva na conversa.

O líder do governo, deputado Manoel Moraes, também tenta se articular para disputar a presidência. Ao jornalista Luis Carlos Moreira Jorge, do Blog do Crica, ele afirmou que nenhum deputado tem o direito de se proclamar antecipadamente futuro presidente da Aleac, alfinetando o atual presidente da Casa, Nicolau Júnior.

Caso o nome de Clodonaldo não seja aceito pela Casa, outros nomes, como Marcus Alexandre (MDB) e Afonso Fernandes (União Brasil), também são bem vistos. O único problema do ex-prefeito de Rio Branco seria o fato de ser considerado “pato novo” na Casa. Nos bastidores, há quem avalie que um novato dificilmente conquista o cargo, já que os deputados com mais tempo de mandato têm um espírito de corpo e buscam o consenso.

Já Afonso Fernandes, que transita bem entre governo e oposição, poderia ser um nome escolhido caso houvesse consenso entre os poderes.

Outro movimento que o Palácio Rio Branco estranhou foi o fato de os deputados do PL já terem declarado apoio, por intermédio do senador Márcio Bittar, sem passar pelo crivo do Palácio. Na época, Flávio Bolsonaro era apontado como favorito para vencer as eleições presidenciais no segundo turno, mas, após o resultado nas urnas, a articulação de Bittar pode ter ficado enfraquecida.

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Isso pode ter reflexos, inclusive, na eleição da Câmara Municipal de Rio Branco, onde o governo estadual, por ser a maior força política, não tem sido consultado. No Legislativo municipal, Bittar teria declarado apoio de seus vereadores a Bruno Moraes (PP).

Apesar de ter sido reeleito na chapa majoritária liderada por Mailza, Bittar hoje é visto com certa desconfiança por assessores do governo.

“Ele tinha ciência de que seria ministro caso Flávio fosse eleito. Deu com os burros n’água. Se isso tivesse ocorrido, a governadora seria diminuída politicamente. Ele já estudava ser candidato ao governo em 2030 com apoio do presidente, mas não deu certo, graças a Deus”, afirmou um deputado próximo à governadora Mailza.