O baixo nível dos rios e a falta de chuvas têm reduzido a oferta de peixes de rio no Mercado do Peixe de Cruzeiro do Sul. Mesmo em outubro, período em que as chuvas já deveriam ser mais frequentes, a estiagem continua prejudicando a atividade pesqueira. Apesar da redução, o abastecimento está garantido pela produção de peixes em cativeiro.
O presidente da Associação dos Vendedores de Peixe de Cruzeiro do Sul, Francisco Valdeci, explica que a oferta de pescado de rio costuma diminuir nesta época do ano, com o fim das piracemas e a dificuldade de captura de peixes em lagos e igarapés.“Nós estamos tendo uma baixa muito grande de peixe do rio. Nessa época, a demanda cai muito porque já pararam as piracemas. Estamos trabalhando com peixes de lagos e igarapés, mas, sem água, o peixe não sai para desovar”, explicou.

Mesmo com a redução da oferta de pescado dos rios, a expectativa dos vendedores é manter o abastecimento do Mercado do Peixe de Cruzeiro do Sul durante os próximos meses, utilizando a produção da piscicultura.Segundo Valdeci, a alternativa dos vendedores é ampliar a comercialização de peixes provenientes da piscicultura, atividade que tem crescido no Vale do Juruá.“Se prolongar esse período de estiagem, vamos ter que trabalhar com o plano B, que é a piscicultura. Graças a Deus, estamos com uma produção muito boa aqui no estado, principalmente no Vale do Juruá. Temos muito peixe de piscicultura para ser retirado”, afirmou.
Defeso
A partir de 15 de novembro, com o início do período de defeso, com a proibição de captura de várias espécies,a oferta alguns peixes de rio deverá ficar ainda mais restrita. Durante esse período, a captura e a comercialização de espécies protegidas ficam proibidas, conforme as regras ambientais, para garantir a reprodução dos peixes.

Valdeci afirma que os vendedores já estão preparados para trabalhar principalmente com os peixes de cativeiro durante o defeso.”Peixe do rio pode faltar, mas da piscicultura nós temos bastante. Sem peixe, o mercado não fica”, garantiu.
Em relação aos preços, Valdeci afirma que os valores permanecem praticamente os mesmos há mais de três anos. Segundo ele, o quilo do peixe é vendido a partir de R$ 25, podendo chegar a R$ 26 ou R$ 27 quando o produto é entregue limpo e tratado.
“Estamos há mais de três anos com o peixe no mesmo valor. O preço depende também do vendedor. O consumidor pode pesquisar, porque em um local pode estar mais caro e em outro mais barato”, explicou.