Cruzeiro do Sul, Acre 7 de outubro de 2026 18:10

Quem é Mancuso, acusado de vender diploma falso a estrelas do futebol

Ex-jogador de Flamengo e Palmeiras, Alejandro Mancuso é acusado de vender diplomas falsos que prometiam licenças de treinador da tradicional Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA) para estrelas do futebol brasileiro.

Mancuso tem 58 anos, e é ex-volante com passagens pela seleção argentina e grandes equipes do cenário sul-americano. Revelado pelo Ferro Carril, ganhou destaque com a camisa do Vélez Sarsfield entre 1989 e 1993.

Pelo Vélez, Mancuso conquistou o Torneio Clausura do Campeonato Argentino de 1993. No mesmo ano, o jogador fez parte da seleção argentina que faturou o título da Copa América.

O ex-jogador atuou ainda com a camisa do Boca Juniors antes de assinar com o Palmeiras em 1995. No ano seguinte, chegou ao Flamengo, onde venceu o Campeonato Carioca de 1996 de maneira invicta.

Mancuso ainda jogou pelo Independiente, da Argentina, CD Badajoz, da Espanha, Santa Cruz, do Brasil, e encerrou a carreira em 2000, no Bella Vista, do Uruguai.

Vale lembrar que, durante o período no futebol brasileiro, Mancuso chegou a ser eleito por colegas de profissão como um dos atletas mais violentos do esporte.

Denúncias de envolvimento em esquema de diplomas falsos

  • Uma série de ex-estrelas do futebol brasileiro comprou diplomas falsos de treinador, que prometiam licenças da ATFA, sem a necessidade de cumprir os cursos exigidos pela entidade.
  • Entre os nomes envolvidos estão Thiago Silva, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Dejan Petkovic, Paulinho (ex-Corinthians) e Paolo Guerrero.
  • Segundo a investigação, Alejandro Mancuso era responsável por oferecer aos jogadores o chamado “trâmite urgente”.
  • O caso foi revelado pela jornalista Joanna de Assis, do Uol. A investigação reuniu áudios, mensagens e documentos relacionados ao esquema.
  • Jogadores chegavam a pagar cerca de R$ 100 mil para receber quatro licenças de treinador (C, B, A e PRO), que eram enviadas pelo correio em poucos dias.
  • O argumento era de que atletas com carreiras consolidadas não precisariam passar pelos anos de formação exigidos pela ATFA.
  • O argentino afirmava ter um acordo com dirigentes da entidade para facilitar a emissão dos certificados. Mancuso se apresentava como “diretor internacional da ATFA” e dizia que o presidente e o departamento jurídico da escola estavam envolvidos.
  • Mancuso dizia que os jogadores poderiam receber as quatro licenças sem cumprir a formação regular. A ATFA, porém, afirma que não autorizou nenhum procedimento desse tipo.
  • A carreira como jogador profissional, segundo a entidade, não permite ao atleta dispensar essas etapas.
  • A própria ATFA afirma que os documentos entregues por Mancuso são falsos e que o argentino nunca teve autorização para representar a instituição.
  • O caso também chegou à Justiça argentina. Em 2025, a polícia realizou uma busca e apreensão na sede da ATFA para investigar a suposta emissão irregular de diplomas e licenças para ex-jogadores estrangeiros.
  • Segundo a entidade, porém, não foram encontrados documentos que comprovassem a emissão irregular dentro da própria associação.
  • Mancuso nega ter vendido licenças falsas ou recebido dinheiro dos jogadores. Ele afirmou que apenas orientava atletas que procuravam informações sobre como obter a formação argentina.
  • O ex-jogador também negou ter vínculo com a ATFA e disse ser apenas um comentarista de rádio.
  • Questionado sobre os áudios em que oferecia diplomas e sobre jogadores que afirmam ter recebido os documentos após pagamentos, Mancuso negou ter realizado esse tipo de negociação e afirmou que os atletas deveriam tratar diretamente com a federação.