Cruzeiro do Sul, Acre 1 de outubro de 2026 17:51

Quem é a mulher que sobreviveu a duas injeções letais no corredor da morte

A norte-americana Christa Pike, que passou quase 30 anos no corredor da morte, chamou a atenção após ter sobrevivido a duas injeções letais, recebidas na quarta-feira (30/9). O caso ganhou ainda mais repercussão depois de o governador do Tennessee suspender as execuções para investigar o que aconteceu.

Neste momento, a mulher, de 50 anos, passa por cuidados “para salvar sua vida” em um hospital e, segundo seus advogados, “não perdeu a consciência, ainda tem batimentos cardíacos e está roncando audivelmente”.

Um médico contratado pela equipe jurídica da condenada afirmou que ela provavelmente sofreu uma lesão cerebral. Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.

Pike foi condenada à morte aos 18 anos após ela e o então namorado, Tadaryl Shipp, espancarem com um pedaço de concreto e matarem a facadas Colleen Slemmer, de 19, em uma área de mata em Knoxville, em 12 de janeiro de 1995.

O assassinato foi motivado por ciúmes, já que Pike temia que Slemmer estivesse tentando roubar seu namorado. O corpo da jovem foi encontrado com um pentagrama entalhado no peito, feito por Shipp, com um estilete.

Shipp tinha 17 anos quando o crime ocorreu e recebeu pena de prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional. Pike foi condenada à morte e, posteriormente, diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático.

No pedido de clemência, ela afirmou que pretendia apenas brigar com a rival, mas não teria conseguido se controlar. “Eu era uma jovem de 18 anos com doença mental. Levei muitos anos até compreender a gravidade do que havia feito”, declarou Pike.

Além da idade, os advogados de Pike defendem que ela teve uma infância excepcionalmente traumática e abusiva, com histórico documentado de abuso sexual infantil (ela teria sido estuprada dos 11 e aos 17 anos), abandono e negligência, Eles tentaram por anos anular a sentença de morte, sem sucesso.

Outro argumento usado pela defesa foi endossado pelo defensor público federal assistente Stephen Ferrell, à mídia internacional, que confirmou que o caso de Pike é excepcional, porque outros condenados de 18 anos no Tennessee tiveram as penas de morte anuladas.

Um terceiro adolescente também admitiu ter sido cúmplice do crime, mas recebeu liberdade condicional.