A construção da BR-364 com concreto e aço, em substituição ao modelo utilizado atualmente, é uma das principais propostas apresentadas por Tião Bocalom para melhorar a ligação entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul e reduzir os problemas de trafegabilidade enfrentados ao longo do ano. O candidato ao Governo do Acre afirmou que, se eleito, pretende negociar com o Governo Federal para que o Estado possa executar inicialmente um trecho-piloto de 10 quilômetros da rodovia.
A proposta foi apresentada durante entrevista à Rádio Gazeta FM, nesta terça-feira, 8, na rodada de entrevistas com os candidatos ao Governo do Acre. Questionado sobre como pretende garantir a trafegabilidade da BR-364 durante todo o ano, especialmente no trecho que atende a região do Juruá, Bocalom afirmou que considera insuficiente continuar realizando intervenções no modelo atual.
Segundo o candidato, os recursos utilizados ao longo dos últimos anos para recuperar a rodovia poderiam ter sido empregados na construção de uma nova estrada com concreto. Ele atribuiu os problemas atuais a uma escolha feita ainda no projeto inicial da rodovia.
“Essa BR-364 não adianta. Ela tem que ser colocada de concreto, igual nos Estados Unidos, igual na Bolívia, que tem um monte de estrada. Se você vai no Paraná, tem. Se você vai em São Paulo, tem. Para todo lado tem estrada de concreto com aço. Onde o solo é muito ruim, você tem que fazer concreto, não é fazer o asfalto normal como se faz”, declarou.
Trecho-piloto de 10 quilômetros
Como forma de testar a proposta, Bocalom afirmou que pretende solicitar ao Governo Federal autorização para que o Governo do Estado execute um trecho de 10 quilômetros da BR-364 com concreto e aço.
A ideia, segundo ele, é utilizar esse trecho como demonstração prática do modelo e, posteriormente, defender a expansão da solução para o restante da rodovia.
“Para mim, só tem uma saída para a BR-364. E como governador, eu vou para cima do Governo Federal, pedir: pelo amor de Deus, vamos fazer o que precisar fazer nessa BR, tudo de concreto e aço. Eu vou pedir, inclusive, vou falar: Flávio Bolsonaro, me deixa o Governo do Estado fazer 10 quilômetros de concreto lá para vocês verem. Vocês vão ver que vai aguentar 100 anos”, disse.
Crítica às obras de recuperação
Bocalom também criticou a estratégia de manutenção adotada na BR-364. Segundo ele, o problema não estaria apenas nos buracos que surgem ao longo do tempo, mas na própria estrutura da rodovia.
O candidato questionou, durante a entrevista, a utilização de camadas de pedra como solução para os trechos considerados problemáticos. Na avaliação apresentada por ele, se o solo abaixo da estrutura ceder, a camada também poderá apresentar problemas por não contar com uma estrutura de concreto e aço capaz de dar maior sustentação.
“Não adianta ficar consertando, gastando um horror de dinheiro nessa estrada, aos pedaços. E o povo do Juruá merece ter uma estrada de vergonha, que ele possa ir e voltar com cinco, seis horas de viagem, porque são 600 quilômetros apenas. O resto do Brasil tem. Por que é que não tem? Então, vou para cima para a gente resolver”, afirmou.
Ligação com o Peru também está nos planos
Além da recuperação da rodovia, Bocalom defendeu que a BR-364 seja estendida em direção ao Peru. A proposta apresentada durante a entrevista é utilizar essa ligação para facilitar o transporte da produção acreana até um porto peruano.
Segundo o candidato, a rota pelo Juruá poderia reduzir em aproximadamente 700 quilômetros o trajeto em comparação com o caminho pelo eixo de Brasileia, conforme a estimativa apresentada por ele.
“Nós temos que seguir em frente e virar para ali, para ir para o Porto de Xangai, para exportar. É muito mais perto ir por aqui, por Cruzeiro, do que ir por aqui, por Brasileia. Aqui dá 700 quilômetros a mais para chegar ao Porto de Xangai. E aqui, por Cruzeiro, vai ser 700 quilômetros a menos”, afirmou.
Bocalom relacionou a proposta ao crescimento da produção agrícola no Acre e citou o café como um dos produtos que poderiam ser transportados por essa rota.
“O nosso café, que hoje vai para Santos, pode tranquilamente sair por aqui, para o Porto de Xangai, que é mais barato, vai sobrar mais dinheiro para quem produz. Não é só o café. Estou falando de café, de milho, de tudo que a gente pode exportar, de carne que pode exportar. Então, a infraestrutura é fundamental”, declarou.
Ramais e parceria com prefeituras
A proposta para a infraestrutura não se limita à BR-364. Durante a entrevista, Bocalom também apresentou medidas para os ramais utilizados no transporte da produção rural.
Ele afirmou que pretende ampliar a atuação conjunta entre o Governo do Estado e as prefeituras. A ideia, segundo o candidato, seria recuperar máquinas municipais que estejam paradas e fornecer combustível para a execução dos serviços.
Nos locais onde o Estado possuir equipamentos próprios, essas máquinas também seriam utilizadas nos trabalhos de recuperação dos ramais.
Municípios isolados e custo dos alimentos
Outro ponto abordado pelo candidato foi a situação dos municípios considerados isolados, especialmente Jordão, Marechal Thaumaturgo, Santa Rosa do Purus e Porto Walter.
Bocalom relacionou as dificuldades de acesso aos preços mais elevados dos produtos nessas localidades. Como exemplo, afirmou que um pacote de arroz que custa menos em Rio Branco chegaria a R$ 40 ou R$ 45 em Santa Rosa do Purus, valor que classificou como aproximadamente o dobro do praticado na capital.
Segundo ele, o problema afeta diretamente o poder de compra da população dessas cidades, onde o salário mínimo é o mesmo praticado no restante do país, mas os alimentos chegam com preços maiores em razão das dificuldades de transporte.
Novas estradas para reduzir isolamento
Para enfrentar esse problema, Bocalom também defendeu a abertura de novas ligações rodoviárias entre municípios atualmente dependentes de transporte aéreo ou hidroviário.
Entre as propostas apresentadas está uma ligação entre Santa Rosa do Purus e a região de Tarauacá, com conexão em direção a Sena Madureira. Ele também citou uma estrada partindo de Jordão, passando por localidades da região até chegar a Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e, posteriormente, Cruzeiro do Sul.
O candidato afirmou que já conversou com prefeitos das regiões envolvidas e que, segundo esses gestores, as ligações seriam tecnicamente possíveis.
“Já estive com os prefeitos, já conversei com todos eles, e todo mundo disse que quem conhece a região sabe que dá para fazer essa estrada aí e tirar esse povo do isolamento. As pessoas não podem morrer à míngua lá, comer metade do que come aqui. Gente, se não tiver estrada, esquece. O desenvolvimento não chega”, declarou.