A madrasta e o pai da menina que ingeriu soda cáudista e passou mais de 10 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Rio Branco, foram indiciados pela Polícia Civil e o inquérito enviado para o Pode Judiciário. A mulher deve responder por tentativa de homicídio e maus-tratos, enquanto o pai maus-tratos e abandono de incapaz.
As informações foram confirmados ao g1 nesta terça-feira (11) pela Polícia Civil. A reportagem tentou contato com a defesa da mulher, contudo, não obteve retorno até a última atualização desta matéria.
A menina foi internada no dia 3 de julho após a suspeita de ingerir soda cáustica em uma casa no bairro Apolônio Sales. A Polícia Civil investiga a denúncia de que a madrasta teria obrigado a criança a ingerir a substância. A madrasta foi presa preventivamente e o pai da criança segue foragido. O caso está sob segredo de Justiça.
A menina celebrou o aniversário de 12 anos na última sexta-feira (7) no hospital e no domingo (9) recebeu alta médica do Hospital da Criança de Rio Branco. Ela foi para casa da pastora Regiane Maciel, onde segue em recuperação e tomando medicação.
Madrasta suspeita de obrigar enteada a ingerir soda cáustica é indiciada por tentativa de homicídio no AC
Pai da criança também foi indiciado por maus-tratos e abandono de incapaz. Polícia Civil concluiu e enviou o inquérito para o Poder Judiciário.
Além da madrasta, o pai da menina também teve a prisão preventiva decretada pelos supostos crimes de tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos. Ele segue foragido.
“Conforme os documentos juntados, ela também geriu soda cáustica. Eu quero ver agora a proteção também da mulher, porque a lei defende a criança e defende a mulher em situação de vulnerabilidade. Não no tocante à questão criminal, mas sim pela qualidade de mulher vulnerável, grávida que amamenta e também é vítima de violência”, disse.
Além da investigação da polícia, o Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou uma notícia de fato para acompanhar o caso.
O órgão solicitou perícia no produto químico que pode ter sido ingerido pela criança e nas lesões sofridas, além de acompanhar as medidas protetivas adotadas pelo Conselho Tutelar. O procedimento apura a possível prática de crimes como tentativa de homicídio, tortura e maus-tratos.
O MP-AC aponta que os crimes teriam sido cometidos por meio cruel e no contexto de violência doméstica e familiar contra a criança, além de maus-tratos majorado pela idade da vítima.
A Justiça considerou, entre os fundamentos da decisão, a vulnerabilidade da menina, a necessidade de garantir a instrução criminal e o risco de reiteração das condutas. No caso do pai, a decisão também levou em conta indícios de fuga.
A mulher, que não foi identificada na reportagem, contou que teve contato pessoal com a menina somente até os 3 anos de idade. Ela mora na zona rural de Boca do Acre (AM) e chegou à capital no último dia 7 para prestar depoimento e acompanhar a recuperação da filha.
Segundo ela, quando chegou ao hospital, a equipe médica confirmou que a menina ingeriu soda cáustica e orientou que evitasse perguntas sobre o caso para não causar sofrimento à criança durante a recuperação.
“Quando eu entrei, a médica falou que tinha uma surpresa para ela. Quando ela olhou para mim, me reconheceu. Ela começou a chorar e eu também. Eu só falei que estava do lado dela, que ela tinha uma mãe e que não ia abandonar ela”, disse.