O Núcleo Especializado de Investigação Criminal (NEIC) da Polícia Civil em Cruzeiro do Sul iniciou os procedimentos para apurar a dinâmica da tentativa de assalto ocorrida em uma loja de telecomunicações no centro da cidade, que resultou na morte de dois assaltantes após a reação de um policial militar de folga.
Em entrevista, o delegado titular do NEIC, Everton Carvalho, que esteve presente na cena do crime acompanhando a perícia técnica, informou que os primeiros elementos colhidos reforçam a tese de atuação respaldada pela lei para salvar vidas.
“O que temos conhecimento a princípio é que houve esse assalto enquanto o policial recebia atendimento. Ao perceber a ação, ele conseguiu reagir, atuando — ao que tudo indica pela configuração — em legítima defesa própria e de terceiros que estavam frequentando o estabelecimento comercial”, afirmou o delegado.
De acordo com a Polícia Civil, os dois jovens mortos na ação possuíam antecedentes criminais e histórico de envolvimento direto com facções que atuam na região do Juruá. Logo após a confirmação dos óbitos, foram registradas queimas de fogos de artifício em alguns bairros e publicações em redes sociais prestando homenagens e exaltando a organização criminosa.
O delegado alertou que a conduta de apologia não passará impune:
“São indivíduos conhecidos da Polícia Civil e da Polícia Militar, com atuação em organização criminal. Foi possível perceber uma onda de fogos de artifício e vídeos nas redes sociais fazendo honras à organização. A Polícia Civil também vai trabalhar para identificar essas pessoas que estão fomentando esse tipo de prática, no sentido de responsabilizá-las a partir do momento em que divulgam vídeos fazendo apologia ao crime e ao criminoso.”
Próximos passos da investigação
Além da pistola calibre .380 (com 10 munições), do simulacro de arma de fogo e da motocicleta roubada apreendidos no local, os investigadores recolheram o aparelho celular de um dos suspeitos mortos.
Nos próximos dias, a equipe do NEIC vai colher o depoimento do policial militar, ouvir as testemunhas (funcionários da loja e clientes que estavam no recinto) e analisar as imagens de câmeras de segurança para entender com precisão como ocorreu a abordagem inicial da dupla, que entrou no local portando capacetes.
O laudo da perícia técnica-científica também é aguardado para determinar a quantidade exata de disparos efetuados e quais regiões dos corpos foram atingidas. Nenhuma das testemunhas ou funcionários da loja ficou ferido durante a ocorrência.