Cruzeiro do Sul, Acre 25 de julho de 2026 15:50

Com quase 400 desaparecidos em 2025, Acre mantém taxa acima da média nacional

O Acre registrou 386 pessoas desaparecidas em 2025, quatro a mais do que no ano anterior, e manteve uma taxa de desaparecimentos superior à média nacional. Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nessa quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Embora o aumento tenha sido discreto, de 0,6% em relação a 2024, o estado alcançou uma taxa de 43,6 desaparecimentos para cada 100 mil habitantes, enquanto a média brasileira foi de 39,5.

➡️ O Anuário Brasileiro de Segurança Pública reúne, anualmente, dados sobre criminalidade e violência com base nas informações enviadas pelas secretarias de Segurança Pública dos 26 estados e do Distrito Federal e é considerado uma das principais referências nacionais sobre o tema.

Considerando os 365 dias de 2025, o Acre registrou média de 1,06 desaparecimento por dia. Já o número de pessoas localizadas caiu em relação ao ano anterior, passando de 371 registros em 2024 para 346 em 2025.

No cenário da Região Norte, o Acre tem a 4ª maior taxa de desaparecimentos proporcionalmente à população.

O estado acreano fica atrás apenas de Roraima (78,1), Rondônia (58,1) e Amapá (50,8), superando Amazonas (22,7), Tocantins (38,8) e Pará (12,3).

Em números absolutos, o Acre registrou menos ocorrências do que estados mais populosos da região, mas permanece acima da média nacional quando considerada a população.

No Brasil, foram contabilizados 84.269 registros de pessoas desaparecidas em 2025, alta de 3,6% em comparação aos 81.040 casos registrados em 2024.

Segundo o anuário, esse crescimento reforça uma tendência observada desde 2021, após a queda registrada durante a pandemia da Covid-19.

Fonte: Anuário do Fórum de Segurança Pública

Pessoas localizadas

Em todo o país, foram contabilizadas 61.305 pessoas localizadas em 2025. No entanto, o próprio estudo faz uma ressalva sobre esses dados. Segundo o FBSP, nem todos os estados seguem o mesmo padrão para registrar quando uma pessoa é encontrada.

Além disso, muitas famílias deixam de comunicar às autoridades que o desaparecido foi localizado por outros meios, fazendo com que registros permaneçam ativos nas bases policiais.

Por isso, o número de pessoas localizadas não corresponde, necessariamente, aos desaparecimentos registrados no mesmo período e pode sofrer distorções.

Além disso, no levantamento divulgado no ano passado, o Acre havia registrado crescimento superior a 8% nos desaparecimentos entre 2023 e 2024. Já nesta edição, o aumento foi de apenas quatro casos, mas a taxa por habitante segue acima da média brasileira. (Veja tabela abaixo)

O que é considerado desaparecimento?

🔍 De acordo com a Lei nº 13.812/2019, que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e criou o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, é considerada desaparecida toda pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa do desaparecimento, até que sua localização e identificação sejam confirmadas por meios físicos ou científicos.

Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), não existe prazo mínimo para que uma pessoa seja considerada desaparecida.

Em cartilha sobre a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, o órgão orienta que o boletim de ocorrência deve ser registrado imediatamente após a comunicação do desaparecimento.

A publicação destaca ainda que as instituições de segurança pública têm o dever de receber o registro da ocorrência e dar início às investigações de forma prioritária. As buscas só devem ser encerradas quando a pessoa desaparecida for localizada.

Desaparecidos no Acre — Foto: Renato Menezes/Arte g1
Desaparecidos no Acre — Foto: Renato Menezes/Arte g1

Casos de 2025 no Acre

Um dos casos mais emblemáticos no Acre em 2025 foi o da bebê Cristina Maria, que tinha apenas três meses de vida quando teve o desaparecimento comunicado. A mãe da menina, Yara Paulino da Silva, de 28 anos, foi assassinada no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco, em março do ano passado após ser falsamente acusada pelo sumiço da criança.

Posteriormente, o Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a ossada encontrada durante as buscas era de um animal. Cristina Maria continua desaparecida, foi incluída na plataforma Amber Alert e nunca foi localizada.

As investigações apontam, entre as hipóteses, a possibilidade de que a criança tenha sido entregue ilegalmente. O pai da menina chegou a ser preso durante a investigação após apresentar contradições em depoimentos.

Cristina Maria está sumida desde 15 de março — Foto: Reprodução
Cristina Maria está sumida desde 15 de março — Foto: Reprodução

Outro desaparecimento que mobilizou buscas foi o de Bruno da Silva Holanda, de 29 anos, que saiu de casa, em Rio Branco, no fim de novembro de 2025, e não voltou mais.

Segundo a família, ele era usuário de drogas e nunca havia permanecido tantos dias sem dar notícias. O caso passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), enquanto familiares percorreram hospitais, o Instituto Médico Legal e outras instituições em busca de informações.

Bruno da Silva Holanda, 29 anos, está desaparecido desde o dia 27 de novembro — Foto: Arquivo pessoal
Bruno da Silva Holanda, 29 anos, está desaparecido desde o dia 27 de novembro — Foto: Arquivo pessoal