Terá início neste sábado, 18, na Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima, a VIII edição do Festival Atsa Puyanawa, um dos maiores eventos de valorização da cultura indígena do Acre. A programação reúne apresentações culturais, rituais, espiritualidade, gastronomia tradicional, artesanato, música, danças e atividades que reforçam a identidade e os saberes ancestrais do povo Puyanawa.
Realizado pela Associação Agroextrativista Poyanawa do Barão e Ipiranga (AAPBI), com apoio do Governo do Acre, por meio da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas, o festival recebe indígenas, pesquisadores, turistas e visitantes de diversas regiões do Brasil e do exterior em uma imersão na cultura amazônica.
O nome “Atsa”, que significa macaxeira, mandioca ou aipim, faz referência ao alimento que, durante muitos anos, sustentou economicamente o povo Puyanawa e que permanece presente diariamente na alimentação da comunidade. Da mandioca também nasce a tradicional caiçuma (ûba), bebida símbolo do festival, compartilhada entre moradores e visitantes como expressão de acolhimento e celebração.
Criado em 2016, o Festival Atsa surgiu inicialmente como um evento interno, voltado ao fortalecimento da identidade cultural da comunidade. Com o sucesso das primeiras edições, o cacique Joel Puyanawa, idealizador do festival, decidiu abrir as portas da aldeia para que pessoas de diferentes lugares pudessem conhecer de perto a história, a espiritualidade e as tradições do povo Puyanawa.
Ao longo dos seis dias de programação, os visitantes poderão acompanhar apresentações da Escola Ixúbãy Rabuî Puyanawa, cantos tradicionais, desfiles culturais, competições de arco e flecha e arremesso de lança, rodas de conversa, exposição de artesanato e momentos de confraternização, como a grande caiçumada de encerramento.
Também integram a programação atividades espirituais conduzidas pela comunidade, como as cerimônias com ayahuasca (Dispãnî Hew), banhos de medicina e pinturas corporais. Algumas dessas experiências fazem parte do pacote destinado aos visitantes que optam pela imersão completa no festival, enquanto outras podem ser acessadas mediante inscrição e pagamento específico.

Além de fortalecer a cultura indígena, o evento movimenta a economia local. Durante o festival, famílias comercializam refeições típicas, artesãos expõem seus produtos e os recursos arrecadados contribuem para custear a participação da comunidade nas atividades culturais.
A organização destaca que moradores de Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul e região podem visitar o festival pagando um ingresso de R$ 20, valor referente apenas ao acesso ao evento. Alimentação, pinturas corporais e algumas atividades especiais são cobradas separadamente. As danças tradicionais e as apresentações culturais são abertas gratuitamente ao público, enquanto as cerimônias com ayahuasca e a trilha na floresta exigem reserva antecipada e taxa de R$ 100 por atividade.
A recepção dos visitantes ocorre na sexta-feira ,dia 17,antecedendo a abertura oficial do festival, marcada para a manhã do dia 18, quando comunidade e convidados participam da cerimônia de abertura. O encerramento acontecerá no dia 23 de julho, com cantos tradicionais, pronunciamentos das lideranças Puyanawa e uma grande celebração com músicas em português e na língua Puyanawa, reafirmando a resistência, a espiritualidade e a continuidade da cultura indígena na Amazônia.
Informações e inscrições:
Joel Ferreira Lima Puyanawa – Cacique do Povo Puyanawa
WhatsApp: (68) 99961-7802
E-mail: povopuyanawaoficial@gmail.com
Outros contatos:
Carol Puyanawa: (68) 99225-7910
Veja
a programação:
